domingo, 31 de outubro de 2010

QUE BOSTA!




"Jesus disse:
Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais,
porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas."


Crianças famintas
Crianças morrendo
São brancas, são pretas, são verdes
Crianças famintas


Crianças curradas
Crianças sofrendo
Meninos, meninas, crianças
Crianças curradas


Crianças agredidas
Crianças sangrando
Gritos, palmadas, porradas
Crianças agredidas


Crianças exploradas
Crianças escravas
Nos campos, nas ruas, no mundo
Crianças exploradas


Crianças criminosas
Crianças sem infância
Roubando, fugindo, matando
Crianças sem infância


E a sua criança?
Limpinha, cheirosa, sadia?
Você mima, educa e vive por ela
E acha que isto basta?
Que bosta!!!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ECLIPSE


A revolução se anuncia em cada pulsar
Indivíduos pagãos a reverenciar esta união
Corpos arfantes, paixões arredias
Nossas vidas marcantes
Pensamentos instantes
Todo fogo a queimar a pele
Arder por dentro cáusticas sinergias
E os incrédulos com suas lamúrias, grotescas elegias
No aguardo do juízo ao prenúncio do solstício
 A treva se faz lenta, sorrateira, ojeriza
A lenda corre terras
A víbora consome as almas
A cona guarda víboras
O Sol engole a Lua, ela à frente ele atrás
Dois se tornam um
Solilóquio
Momentos de loucura
Sismos interiores
Vulcão de lava albina
Fluidos pecaminosos
Paixão herege  
O silêncio resulta de suspiros, de gemidos encantados
O prazer em nova vida se eterniza
Minutos após
Êxtase

ESSA MENINA É SHOW

 Forma-se no cérebro. Advem do remoto, do já experimentado, do presente e do ainda não vivido. Sentimento traduzido em frases. Da mente para o papel, as palavras escorregam. Percorrem todo o caminho, até chegar à ponta do lápis. Vão ganhando forma, som, rítmo, movimento. Isso é poesia. Mariana Luz

Quem sou eu

Minha foto


Mariana Luz

Definir-me seria limitar-me



AMOR DE ANJO


Caído do céu como estrela em chamas
Blindagem de luz que arrebatou minha alma
E explodiu frente meus olhos como chuva de prata
Meu coração de pedra, tal dureza, tal frieza
Não suportou tanto calor
Sucumbiu a este amor
A paixão tomou conta de mim sem compaixão
Minha vida mudou a direção de sua jornada
Meu destino agora é claro como pétalas de lírio
Cintilante é meu semblante tal cristais de neve
Cânticos da floresta ecoam o anúncio de uma nova era
Andarilho de um inferno paranóico
Já sem esperança de encontrar a paz
Náufrago em um mar de trevas
Não podia imaginar que chegaria a este mundo sereno
Onde vivo aprisionado, acorrentado, entre grades
Mas vivo feliz
Não quero escapar
Quero apenas servir à ninfa que determinou minha sentença
Amar pra sempre
Mesmo que os céus caiam sobre mim
Mesmo que os mares invadam meu manah
Mesmo que mil vulcões estourem
Ou que vendavais mundanos arrastem a florada
Amar pra sempre a este anjo caído
Caído em meus braços

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O QUE É O AMOR?


Esta coisa que tanto dizem, mas não se explica
Não só o amor de um homem para uma mulher,
Mas o amor como um todo.
Será que há algo errado comigo?
Desde menino sofro por este sentimento.
Desde cedo amei a vida
E desde cedo descobri que certa é a morte.
Amei a escola e fui ridicularizado.
Amei um anjo e me chamou doente.
Amei amigos e me deixaram.
Amei minha mãe e ela partiu cedo.
Amei um pai, amei um carrasco, amo um ditador.
Amo a natureza e os homens a destroem, inclusive eu.
Amo os animais e os matamos. Alguns comemos.
Amo o próximo e ele está longe.
Amo meus filhos e eles, nem aí.
Amo uma diva e a ela dei minha vida.
Este amor, o meu maior amor não me ama porque amo a música,
Não me ama porque amo a liberdade,
Não me ama porque amo o meu amor,
Não me ama porque só tenho amor pra dar.
Acho que o amor deveria chamar-se outro nome,
Caberia melhor, sofrimento,
Mas, mesmo assim, amo a vida.
Amo sofrer. Sofro por amar.

EPITÁFIO DE UM AMOR




Meu amor se foi
Partiu sem dizer adeus
Sua pele pálida
Sua carcaça esquálida
O corpo envelhecido por sua mente boçal
Que amava desejos escusos e uma vida banal
Vestida numa mortalha imunda e fétida
Condenada à escuridão vazia e gélida
Sem amigos, sem amor, sem esperança
Só, no mundo, desde tenra criança
E em meu coração este fúnebre momento
A tristeza do ocaso de alguém sem sentimento
Que me feriu, rasgou minha alma inocente
Mandou-me ao inferno, deixou-me cadente, carente
Indecente!
Dizia enviar-me luz
Como isso?
Um ser das trevas
Fosco, tosco
Jamais emitiu sequer centelha
Não soube entender o meu amor
Não quis meu apaixonado fervor
Como pude amar alguém assim?
Mas este sofrimento chegou a fim
Estou vivo, livre
Vivo pra esquecer
Livre pra amar novamente

A NOVA ERA

 
Este é um belo planeta. A diversidade de espécies é espantosa. Está num processo de gênese.  Seres de sangue quente estão eclodindo por diversas partes. A botânica é esplêndida. Mas esta é uma segunda história de formação de vida. Já houve tempos em que a vida era muito mais ampla.
Dos planetas com vida no universo este era o mais completo, mais bonito, mais vivo, mas uma espécie em especial colocou tudo a perder.  Era uma espécie jovem, que apesar de se considerar superior, pelo seu alto grau de inteligência, estava ainda no início de sua longa e árdua caminhada rumo à harmonia evolucional. Raça humana era chamada. Suas habilidades em criar acessórios para seu conforto geraram também uma infinidade de aspectos mesquinhos que os levaram a perdição.

Dividiram-se em grupos distintos mesmo sabendo que evoluíram de um único ser. As diferenças entre os seres desta espécie eram inicialmente características que cada grupo carregava devido ao seu processo de adaptação a cada canto do planeta.
Puramente diferenças de pele e pêlos. Os de pele mais escura eram provenientes das regiões mais quentes do planeta e os de mais clara das regiões mais frias. Grupos de tonalidades intermediárias eram os de regiões temperadas. Simples. Só que não sei por que cargas d'água desenvolveram qualidades únicas, distintas das outras espécies que habitavam por aqui.
Em pouco tempo destoavam totalmente do caos harmônico que era este planeta. Em pouco tempo dominaram as outras espécies, até as que não faziam parte de sua cadeia alimentar. Estranho e pouco prático. E também em pouco tempo já não tinham predadores naturais. Em pouquíssimo tempo deixaram de fazer parte de qualquer ecossistema. E como não tinham predadores, não tinham nenhum controle populacional e se reproduziram de forma descontrolada e o planeta não tinha capacidade de produzir alimentos suficientes para a manutenção de todos. Nem mesmo sua capacidade de adaptação e sua criatividade conseguiram amenizar o problema.
Alguns poucos seres desenvolveram técnicas de subjugo aos mais fracos. Então surgiram os aspectos que eles chamaram de pecados capitais ou bestas do apocalipse. Alguns relacionavam suas circuntâncias efêmeras a demônios  improváveis, criação de suas mentes insanas:
 Esses aspectos unidos ao egoísmo, à doutrina e a alienação, à maldade e outros levou esta espécie à bancarrota.
Chegavam ao absurdo de trocar os alimentos que produziam e objetos que desenvolviam para o próprio conforto por um objeto sem significado que chamavam dinheiro. Não servia pra nada, mas lhes dava sensação de poder. Quem tinha mais dinheiro tinha mais poder e subjugava os de menor capacidade em armazenar posses, dos mais diversos tipos como: objetos inúteis e fúteis, o próprio dinheiro, alimentos e até mesmo pedaços do planeta. Até isso eles comercializavam.
Com o crescimento desenfreado de suas populações, através dos séculos, criaram objetos de contenção populacional chamados de armas e como não encontravam maneiras de segurar sua explosão demográfica, simplesmente dizimavam populações inteiras.
Desenvolveram métodos de prolongamento de suas expectativas de vida, mas, sem mais nem menos, matavam-se uns aos outros, aos milhares. Criaram materiais, processos de obtenção de energia, fizeram uma porção de imbecilidades sem propósito.
A maior riqueza deste planeta era a quantidade de água que havia. Esses seres tinham seus corpos compostos principalmente por água, fonte da vida para quase todas as espécies existentes aqui. E eles o que fizeram? Poluíram a sua fonte de vida. E poluíram o ar que respiravam com partículas sólidas e gases que agiram como escudo defletor da segunda principal fonte de vida do planeta, a luz solar. E produziram muito, mas muito lixo. Com tudo isso mais a produção desenfreada de energia elétrica consumida principalmente para o funcionamento de sua bugigangas de conforto aqueceram o planeta ao ponto de a vida se tornar insustentável. Todo o conforto que esta raça perseguia era proveniente da preguiça.
Acho que o maior mal de todos os males que faziam parte de seu conjunto de iniquidades. Eles perderam a capacidade de realizar qualquer tarefa sem a ajuda de suas mirabolantes engenhocas. A situação foi se agravando até o ponto de os poderosos se unirem para fazer a maior asneira que se podia imaginar. Apertaram os botões e dispararam suas armas de genocídio quase que simultaneamente. Deslocaram o eixo gravitacional do planeta. Cobriram sua atmosfera com uma nuvem de gases e poeira que impediram quase que totalmente a entrada de luz solar na biosfera. Poluíram definitivamente as reservas de água com radiação nociva. Dizimaram o planeta. Acabaram com a vida. Totalmente.
Por milhares de anos o planeta se manteve como uma rocha sem vida. Cinzenta e poeirenta. Mas a natureza do próprio planeta reagiu. E a vida voltou a se formar, lentamente. Na verdade a natureza pouco se importou com as atitudes tacanhas desta espécie, pois isto foi por muitíssimo pouco tempo, uns dez, vinte mil anos no máximo.
 Uma espécie que conseguiu expandir sua expectativa de vida a pouco mais de oitenta anos destruiu em um instante o que a natureza levou milhões e milhões de anos pra construir. Só que esta raça, com a destruição do planeta, também desapareceu, felizmente por completo e estamos aqui para impedir que ela ressurja. Sabem como é, a natureza, nos mais diversos processos de evolução, costuma repetir erros, até acertar, mas nós, anjos protetores do universo estaremos aqui para impedir, cortar o mal pela raiz. Humanos, nunca mais. Nem aqui, nem em lugar algum. Nunca mais.

ANJO CAÍDO



ADÃO
- Tu arruinaste minha vida
Meu coração congelou com teu desprezo
Ao inferno fui. Por mil vezes
Perdido, sem luz, sem vida, sem alma
Num labirinto de trevas
Escuridão

LILITH

- Não meu amor! Tu não entendeste
Eu tinha medo de te perder, de ficar só
Tu e eu éramos luz
Oh! Meu querido, não faça isto
Perdoa-me
Salva-me desta dor

ADÃO
- Transformei minha vida em pura tristeza
Isolei-me do mundo, confuso em memórias
Melancólicas memórias de uma vida sem destino
Fui ao fundo do abismo
Pesares de uma queda sem fim
Ungido na miséria
Submerso no pântano da depressão

LILITH
-Sei que errei. Sei que te perdi
Mas tu mesmo disseste um dia
Nunca é tarde pra se viver um grande amor
Então, perdoa-me
Suplico!

ADÃO
- Não existe perdão onde o ódio impera
Tu és passado
Tu és engano
És apenas uma alma perdida
Um anjo caído
Condenado à cânceres e lepras



LILITH
- Mas tu tens o poder, oh! Meu amado
Salva-me deste triste fim
Ajuda-me, amor
Não quero vagar pela eternidade, longe de ti


ADÃO
- Tenho sim o poder
O poder de odiar
A ti, que tanto me fizeste mal
E agora sou um ser das trevas
Não sou mais terreno
Sou um anjo negro
E tua alma levarei ao inferno
Onde reino feliz
E não mais sofro por amar
Ódio eterno a ti, minha amada
Triste lembrança
Sem caminho  de volta, sem esperança.

NASCEU EMANUEL

 

Finalmente ele veio.
Nasceu Emanuel.
Tão bela criança.
Veio ao mundo fazer o quê?
Já sem esperanças.
Filho de uma casta podre.
Vindo de gerações nefastas, imundas e asquerosas.
Último indivíduo de uma carvalho composto por meretrizes, débeis mentais, porcos e pervertidos.
Que futuro terá este ser?
Será o Salvador?
Rezemos por Ele,
Porque, como o Outro,
Ele não vai salvar nem a própria pele.
Coitado!

SERES DE LUZ


Ouço muitas pessoas dizerem que buscam a evolução para, após esta vida, se tornarem “seres de luz”.
Para que serve um ser de luz?
O que faz um ser de luz?
Quais suas funções?
Quais as realizações comprovadas de um ser de luz?
Os hipócritas alienados por doutrinas escravo-religiosas vêm, cheios de razões e nenhum argumento, com seu blá blá blá profético dizendo um monte de tolices improváveis e desnecessárias, chegando ao absurdo de dizer que um ser de luz tem a função de auxiliar o criador em sua tarefa de espalhar o amor pelo universo. Porra! Mas ele não é o “Todo Poderoso”? Aquele que tudo pode? Então pra que auxiliares? Pra que anjos e arcanjos? Pra que seres de luz, caralho? Ou “Ele” é “todo poderoso” para mandar que alguém faça o seu trabalho?
Existem também os “profetas da Nova Era”, alucinados e desvairados que ficam anunciando um monte de asneiras futurísticas, prometendo um monte de benesses aos seguidores que cumprirem à risca suas sandices improváveis, enganativas e absurdas. Sempre por um preço determinado e tabelado.
Espalham o ópio da utópica eternidade e os “trouxas”, preguiçosos e ansiosos por alguém que cumpra sua função, se intoxicam com palavras que dizem muito, mas não realizam nada. E o pior é que a maioria, quando percebe que tais conquistas custam trabalho e mão no bolso, se manda. Abandonam o tão glorificado mestre e partem à caça de um novo mentiroso, mais condescendente e menos doutrinador.
Então, voltando ao assunto do tal “ser de luz”, vou ser claro e certo:
“Basta apenas que eu seja um ser de carne e osso que sabe o que tem de ser feito e faz”.

DEMÔNIO ANGELICAL

 


Quando viajo por estes caminhos cinza
Meus pensamentos são presságios de sofrimento
Ser ou não ser, a questão me incomoda
Ser o que sou pra sempre
Fazer valer minha essência
Viver minhas sublimes sensações
Emoções de um vôo livre
Tu jamais usarás teu punhal venenoso em meu ser
Jamais seguirei a escuridão da tua fé
Demônios angelicais carregam as chaves das sombras
Ser grande é viver a realidade
Tua doçura não mais me enganará
Teu ciclo terminou, perdido em mentiras
Cerre teus olhos e retire tua máscara
Pois meus olhos estão abertos e meu coração atento aos teus disfarces
Mimética criatura noturna
Siga tua existência down

Afoga-te em teu pântano underground
Degusta teus lamentos em silêncio
Deixa-me em paz
Liberta meu coração
Rompe este selo que me escraviza
Nunca mais pronuncies meu nome
Tu és a semente do mal
Anjo negro que pulsa em meu sangue rebelde
Queima nas profundezas
Reina no teu inferno, só
Pois dele escapei e das trevas se fez luz
Quando te vejo em meu caminho
Meu coração oscila perdido de paixão
Mas não aguento mais chorar
Não posso suportar tua indiferença
Tua potência é pressuposta arrogância
Só pra me fazer sofrer, me fazer chorar
Morra!
Saia do meu caminho
Sou um anjo rebelde, mas sou puro
Meu amor é infinito por ti, mesmo que ao longe
A solidão me consome, mas sou livre
De teus domínios, amor
Amo-te e quero que apodreças
Sequelas do teu desprezo
A mim, que só fiz te amar

BRANA DE LAMENTOS



O frio que chega a minha morada
Vindo das trevas que a mãe Natureza confinou
Congela-me o peito com a força do mal
Por ter que beijar- te o beijo da morte
Silêncio funesto que cala meu pobre coração
Portões abertos à luz e não posso correr
Minh’alma ferida a ponto de nunca voar
Lágrimas em pedra tornam-se sombras
De almas sem perdão brotadas em cruz
E este ódio que me surpreende
Pois nunca existiu em meu interior
Criaturas da noite marcham em passos de sangue
Eu quero voltar ao afago da luz
Voltar aos braços do meu amor
Para beber, feito vinho, o espírito de uma nova chance
O fel da angústia que pousa em mim
E nunca que abandona meu ser
Amarga minha vida
Apaga a centelha de meu coração com seu hálito frio
E assombra meu mundo com seu fedor
O limbo pútrido invade meus pulmões
Oh! Deus!
Por que me abandonaste?
A ninfa que enlouqueceu meus pensamentos se foi
E dizem que voltou para viver ao Teu lado
Por toda eternidade
 Mentira!
Devolva meus sonhos
Deixa que eu viva
Livra-me desta floresta escura
Brana de lamentos, murmúrios e agouros
Onde habitam pássaros negros
Corvos delatores que espreitam a queda dos fracos
Abutres que rompem vísceras dejetas
Arautos da volta do Lord Negro
O Profeta da dor que consumirá esta alma perdida
Jogada ao vento por um amor sem alcance
Sem rumo e sem esperança
Juro não poder suportar este inferno em que vivo
Desconjuro o peso desta sentença maldita
Que cumpro eterno entre correntes e açoites
Só porque a morte a levou
Só porque dediquei-me ao amor

HOJE VAMOS FALAR DE TOLICES





E lá se vão dez anos do novo milênio. Sim, dez anos. O milênio começou no primeiro instante do ano de 2001. Ou estou enganado? Novo milênio, novo século. Século 21.
E o que o homem está fazendo neste momento? O que o homem está pensando neste momento? Em que o homem está acreditando neste momento?
Continuamos com nosso egoísmo e todas as suas mazelas. A lista de mesquinharias humanas é tão extensa que me cansa relacioná-las. Mas cada um sabe onde, como, quando e porque é sacana.
Continuamos com nossos pensamentos disformes. Hora pensamos em fazer o bem, hora pensamos em nos dar bem. Taxamos de doentes algumas pessoas por sua bipolaridade, mas quem não é? Ora, os hipócritas não são. Ah! Onde consta “hipócritas” leia-se humanos. Todos, sem exceção.

Vestem-se de máscaras, diversas, uma sobre a outra e saem pagando de ternos, bonzinhos e evoluídos. Escondem-se atrás de suas mentiras e deixam o tempo passar. E a cada oportunidade apontam o dedo. Massacram o próximo como pulgas. E se dizem filhos da divindade. 
E em que tem acreditado o homem moderno?
Continua acreditando nas mesmas tolices de sempre, não muda nunca. Nunca cai na real.
Acredita em Deus e no Diabo, em bruxas, feitiçaria, magia, astros, profetas, espíritos e almas, duendes e ET’s. Acredita em vida após a morte, no céu e no inferno. Acredita no paraíso mórbido e inútil. E acredita na eternidade. Concluindo, acredita apenas no improvável.
Foge o tempo todo da triste realidade que o aguarda. Todos vão morrer e sobrarão apenas as memórias, de alguns poucos. É óbvio, dos mais hipócritas. Aqueles que acendem uma vela para Deus e outra para o Diabo, para ter a certeza de que irão se dar bem. Custe o que custar.

As efemérides humanas não levam ninguém a lugar algum. Aprisiona todos no mundo das ilusões.
Pois saibam que real (além do mísero dinheiro brasileiro, que é real com letra maiúscula) é criança com fome. Real é a juventude acuada na marginalidade e empurrada para a criminalidade. Real é poucos levando muito e muitos, mas muitos mesmo, levando ferro;
Real é a acentuada destruição do planeta, culpa dos poderosos que não estão aí nem para seus bisnetos por vir. Real é a acentuada destruição do planeta pelos pobres e miseráveis que colecionam futilidades, desperdiçam o pouco que têm e geram uma caralhada de lixo;
Real é muita gente jogando comida fora;
Real é o homem criando a cada dia ferramentas de genocídio, armas de destruição em massa;
Real é um ser discriminar, segregar, pisotear outro de sua espécie por diferenças escroques de cor, credo ou origem, sendo que todos, sem distinção, além de gerar o mesmo tipo de excremento fétido, um dia irão para os mesmos sete palmos abaixo;

Real é uma espécie inútil gerando uma continuação também inútil, pra perpetuar a praga.
O ser humano é tão irreal quanto o seu Deus. Prega amor ao próximo e não tem amor próprio, porque a pessoa mais próxima dele é ele mesmo e, sem amor próprio, o homem jamais poderá amar alguém ao lado, quiçá alguém atingido por catástrofes naturais em terras longínquas ou mesmo uma pobre criança famélica de países miseráveis.
E também jamais amará ao Deus que o criou e que hoje anda distante, escondido de vergonha. Vergonha do que criou à sua imagem.
E me rotulam de virtual porque amo a natureza e a música, porque tenho uma página no Orkut e porque não quero ter carro e casa ou qualquer outro bem material, mas isto é uma outra história...

FORNICAÇÃO




Dois corpos misturam seus fluidos
Dois amantes unem suas carnes
Afoitos
Entrelaçados pelo pecado da luxúria
Entregues aos prazeres que só a paixão pode oferecer
Liberam sua libido
Expulsam seus hormônios
Libertam seus demônios
Beijos com volúpia
Línguas em fogo percorrem os portões do paraíso
Espada ardente em vulva perfumada
Ambos a sugar as delícias do sexo
Mãos atrozes, ferozes
Dedos marotos, malandros
Sussurros de vida
Gritos de morte
Ferida ardente que não deixa cicatriz
Palavras de amor
Olhares de encanto
E a felação desenfreada
Resulta num falo adormecido e numa urna fecunda
E mostra num borrifo de estrelas
que o inferno só foi feito para os sem vida
Porque os amantes terão sempre o reino dos céus
Para repousarem de seus orgasmos.
Felizes

ESTRELAS



Algo de novo em minha vida, invadindo meu ser.
Levanto cedo só pra ver o Sol nascer
Raio de luz rompendo a escuridão
Trazendo de volta calor em minh’alma e um enorme tesão.
Respiro sorrisos
Inspiro encantos
Transpiro desejos
Anseios que brotam em meu coração
Magia, feitiço e uma louca paixão
E me embriago com o perfume de seu corpo indecente
Entorpeço com seu cheiro de mulher, seu olhar de serpente
Sonho um dia beijar seus pés
Jóias raras
Beijar, beijar
Beijar esta mulher
Vorazes taras
Me fascina seu andar
E estremeço ao vê-la as ancas balançar
Enlouqueço com seu rebolar
Saio de mim, perco os sentidos
Oh! Céus. Enfim ouvistes meus pedidos
Ternura de anjo, rosto de menina, doçura de fada
Rainha, princesa
Semblante de deusa
E este amor fere como adaga
Espeta meu peito e o coração rasga
Abre o caminho para um belo futuro
Ao lado do amor que há muito procuro
A felicidade vestida de claros matizes
No meu céu não há mais nuvens grises
Apenas estrelas