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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

FIM!


Luz da manhã
Mentira morta
Manhã de tormenta, noite rebenta
Vida de tempestade
Agora aqui, cansado
Longe do fardo de minha vitória
Quase morto nessa estrada
E ela (a morte) apontando pra mim
Caindo eu, sem a compaixão de vós
Criando asas, rumo à estrela negra
Cara a cara com os vultos da verdade
Sem o fim do éden prometido e tratado
No final do apenas morrer
Chegando aos braços da mãe escuridão

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PRA SEMPRE

Sozinho aqui
Sob esta pedra fria
Abandonado
Condenado a desistir
Lembro de ti
Lembro de mim
Lembro de nós dois
Lembranças de teus incandescentes sorrisos
E do nosso amor
Das chamas que envolviam meu coração
Esse coração agora gelado
Eternamente gelado
Como se o inverno fosse aqui
Pra sempre
Na solidão de minha nova morada
Sob trevas
Apodrecendo no frio da terra quente
De volta ao uno do nunca mais
Solitário como nasci
Para sempre

domingo, 25 de setembro de 2011

DESDOBRAMENTO


Resta-me somente uma perene luz
Uma penumbra minguante, um facho apenas
Sonhos confusos de eterna dúvida
O paraíso que lá existe, sob as mentiras
E a minha vida, meus sonhos, chora
Mortos na escuridão de minha erudita ignorância
Ouço acres trombetas e lânguidos violinos
Em fúnebres cânticos de adeus
Entoados às sombras da solidão
Sina de cada um por cá errante andante
Meu espírito intoxicado perece
Contaminado e carcomido por minha semelhante divindade
à mercê de minha pragmática inoperância
Minh'alma desvanece, débil em sua transparente opacidade
Ruma perdida ao abismo da realidade, agora vã
Buscando desvendar os mistérios
As coisas que não pude compreender
Essa queda que não cessa, anjo sem destino
Sem ter a quem arrebatar
Triste desdobramento de minhas ilusões
Aladas fantasias num voo infinito e sem chão
Que acaba ao despertar
Quando um novo sol finalmente surge ao fim dos olhos
Ou no último fio desta minha inútil existência

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

PASSANDO POR CÁ


Sexo bruto, sujo, sem amor
Macho, fêmea, pseudoamantes
Prole enfim
Sombria conceição
Apenas hormônios à flor
Aleitado pela mama desalmada
Desmamado, cresci criança
Chorando
Sorrindo
Vivi precoces paixões
E emoções mil
Molecagens e dogmas
Traquinagens ou doces
Pesadelos e sonhos
Impetrados em meu ser escravo
Questionados em meu livre pensar
O tempo, rumo à hipocrisia dominante
Então o trabalho
Por imundo papel
Senhor do mundo
Velhos medos
Novas culpas
E o temor ao mestre das bolhas de sabão
Casa
Carro
Shopping
TV de plasma
Pasma alienação
Poder!
Decepção e desesperança
Vergonha de minha humanidade divina
E minha semelhança fantasma
Visões em meus grisalhos e rugas
Hipertensões, amálgamas amargos
Certeza que ao mundo vim só
Passando por cá, só, estou
E só partirei
Sem nada que possa levar
Nem alguém a me acompanhar 

domingo, 14 de agosto de 2011

ETERNIDADE


Morte

Certeza da eternidade

Eterna no nada

No vazio

Na escuridão do pó

O rigor

A putrefata dissolvência

Meus cadavéricos licores

Em cinzas de gris calcário

E anil prussiano

Se fervo

No mármore de meu éden pagão

Até que derretam

Os grilhões de minha pífia existência

E me livrem

Dessa minha asquerosa humanidade

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

VOZES


Vanescem as cores de minha vida
Adiante, o tempo incansável caminha
A candura de minha inocência se foi
E minh'alma, em tônicos cinzas, dissipa
Até que a divina escuridão repouse em mim
Meus medos, os tantos de minha estrada
Aos poucos minaram minha tão sonhada revolução
Tornando-me solitário, torrente em lagrimas
Pleno em tristeza
Vozes falam-me agora
Profetas de minha loucura
Frutos de um porto sem cais, de amigos fantoches
Meus olhos, profundos no mar de minha razão
Perdidos no pântano de minha esquizofrenia
Donde talvez se aninhe o paraíso
O nirvana de minha humanidade mesquinha
Onde não haja beijos de trinta vinténs, quiçá
Minha pestilência incontida não posso negar
Tampouco o egoísmo arraigado em mim
Sanguessuga de meus sentimentos
Me resta redimir meus pecados
Viver este amor profano, meu último amor
E suspirar sem dor meu derradeiro lamento

terça-feira, 28 de junho de 2011

EPÍLOGO


Prófugo neste meu canto lamentoso, meu treno pleno

Não consigo epilogar minh'agonia nem sangrar minh'alma mal parida

Essa delusória existência herege asperge em meu âmago a dor

A flor que brota neste tábido lodo não passa de engodo

A esperança não é última que morre

No corre-corre apenas foge de mim

Torna minha carne pistácia, verde de fome

Dome da morte, sem rumo, sem norte

Cabeça raspada, levita, preste

Da samarra urdida em blasfêmia, tal Quasímodo enfurecido

De tal fealdade, banido; de amor, desvairado

Condenado aos plúmbicos crisóis

Não vejo lua, não há mais sóis que alumiem meu viver

Ou mesmo, aqueçam meu penar

Ah! Como dói meu ser! Como triste é meu jazer!

Já não posso respirar, esvai-me o ar dos pulmões

Tolhido no sulfúrico eclipse de minha essência

Eclíptico, no medo de encontrar a dama de gris sobretudo

E assim terminar meu suplício

E encerrar de vez meu  carmático solitudo 

domingo, 19 de junho de 2011

SHE DIES

 

Ela Morre

O frio vento sopro em minha vida, minha adorada
Um coração sangrando que compartilhamos agora nas asas de Azrael
 
eU Caio como a chuva de outono
És meu tudo, meu todo
Este  sentido beijo de morte em lúgubre silêncio
O alvorecer rasga como uma ferida e o terrível sol
 
Duas almas entrelaçadas, juntas mas tão solitárias
Tanto tu como eu estamos destroçados e congelados em pedras


Suplicaste por ar, de dentro desta fria tumba
Com a dor afiada como uma navalha
 
Agora estou descansando como um menino em teu ventre
Trazendo de volta um pedaço de minha vida


Por um  tempo havia desaparecido, mas nada mudou
Uma neblina caia incessante tal uma vida murcha
Reclinei para trás minha cabeça, logo bebi do opalino
A deusa  esmeralda veio a mim, ela ansiava por minh'alma
E só por um momento me havia esquecido.


Sim, logo eu havia esquecido, mas nada havia mudado
De  repente uma fria brisa soprou por nossa morada
Me sentí como se quisesse abandonar este mundo com ela
 
Vamos, beba comigo o divino néctar do Olimpo!
Senta-te ao meu lado e ajude-me a desafiar nossas adversidades e perdas
Essas adversidades e perdas. Isto tudo acaba contigo
Eu te beijo em teu último suspiro
Dormindo tranquila agora
Arrastada pelas pálpebras pesadas
Para sempre em meus sonhos
E estarás a salvo
E estarás a salvo em meus mais queridos sonhos
Meu amor
Para sempre em meus adoráveis sonhos.
 
Tradução de "She Dies" de Draconian, pra variar
 
Puta que pariu!!! Que merda essa solidão

MORPHINE CLOUD

 Nuvem de Morfina

Uma única noite, um único dia
antes que isso tudo acabe...
com o paraíso que eu não conheço,
pela alegria que eu nunca tive
Eu estou em todo
Sozinho em meu trono solitário
Por que tu me abandonaste?
Os dias imergiram no nublado
E os gritos da vida, um sonho que morre na escuridão
Estende-se uma taça vazia
Um cálice para colher as lágrimas que eu mesmo guardei
Eu perscruto o mistério, esta identidade de abandono...
Congelada para além dos ecos de sorrrisos
Esta nuvem de morfina paira sobre mim
como uma cortina branca de neve
Esta bela bruma me invade
Então, me desvanesço de ti, a cura por minha loucura...
E cá estou, disposto a perdoar-me
Tão perdido neste antídoto
Teu espírito me atormenta, consumido pela indiferença
E clamo em teu silêncio, onde as sombras me ocultam...
Estou amaldiçoado por buscar-te
Ó demência, meu ingrato coração
Paralisado, te  afundas comigo
Intoxicada, esta dura realidade
Sob as faces da apatia
O sonho morreu antes de nascer
A inocência está perdida...e assim sou eu
Mas mesmo assim pretendo ser forte
Mesmo assim me pergunto donde pertenço
Sussurras gentilmente em meu sono
pra deixar este mundo para trás
Eu perscruto o mistério, esta identidade abandonada...
Congelada para além dos ecos de sorrrisos 
Tradução de "Morphine Cloud", música de Draconian

Parece incrível, mas essa música traduz meus sentimentos de uma forma tão absurdamente clara que os últimos dois versos contam o motivo por eu estar deixando o Eco de Sorrisos.

Não suporto mais chorar.
Não suporto viver à distância de meu amor.
Não tenho mais vontade nem motivos pra viver.
Apenas me mantenho vivo pela esperança de um dia tê-la junto a mim, pois, sei que o amor que ela sente por mim é recíproco, quiça maior.

sábado, 18 de junho de 2011

THE CRY OF SILENCE




  O PRANTO DO SILÊNCIO


Pleno em tristeza

Miserável por dentro, tocado pela soberba


Devorado pela saudade, sigo envolto no tempo

Estou fluindo na dor

Me detenho em suspeitas

E pertencendo ao pó

No pó de meus restos abandonados

Fui assassinado com a adaga da vida

Tão esquisita soberba em meu sofrimento...

Só, completamente só com os arroios emocionais de minh’alma

Tão reais, tão puros, porém... deixado de lado

Enredado em temor... sem esperança.

Extorquido pela luz do mundo...

Desprezado, deixado para trás e deprimido...

Estou verdadeiramente só

Mas de alguma maneira... de alguma forma

Sinto como se minha solidão fosse uma vitória

sobre o auto-engano da alegria e da felicidade.

Meu coração bate mais rápido,

a angústia se faz mais clara

e minha visão misantrópica torna-se mais forte.

Vivendo nas sombras

Tão orgulhoso de ser único

mas desesperado

Tão desesperado por uma mão amiga.

_Queres realmente viver esta vida?

Tenho mil razões para morrer,

e muitos milhões de lágrimas para chorar

Em silêncio.

A praga humana tem sugado minha vida

e maldigo o dia em que nasci...

A este mundo

Mesmo assim, não há ninguém que eu queira ser

E ninguém mais desejo ser

Porque não fui feito pra ser ninguém mais

Não!!!

Preciso

Quero

Me entrego à minha recompensa

Preciso

Quero

Necessito minha recompensa

Desejo minha recompensa

Quero minha recompensa

E a quero agora

Unidade: uma reunião de feridas abertas

de escuros... escuros espíritos ímpios

O que é um sonho... o que é um sonho tão distante!

Porque deveria eu... porque devo estar só?

Quando amo... quando amo meus semelhantes?

Devo morrer... Devo morrer para ser livre?

Quando choro... quando choro em silêncio

Quando choro... quando choro em silêncio

Quando choro... quando choro em silêncio

Por favor permita-me morrer em silêncio...

Oh meu Deus! Quero morrer em silêncio!


Pra que inspiração se tenho a honra de ter ídolos tão conhecedores de meu interior, de minha alma que sofre de saudade e solidão?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

MORTE, APROXIMA-TE

De dia eu durmo, de noite eu choro


Oh, morte aproxima-te
Sejas a única pra mim, seja a única, a única que permanece
Meus rios estão congelados e mal escolhidos...
E as sombras ao meu redor enfermam meu coração


Oh, morte aproxima-te
E permaneça do meu lado
Escuta meu silencioso
Escuta meu silencioso pranto
Na tristeza estou escondido, na cruz estou pregado
E a dor ao meu redor congela meu mundo
Meu frio mundo


Nesta vida tenho falhado, por anos tenho chorado
Congelado no tempo deixado pra trás
O arrebato da dor é encontrar a todos
O rapto da dor é tudo!


Por de trás da sombra da vida, as esperanças perdidas estão chorando
Busco a noite e espero encontrar o amor...
Então eu sufoco no silêncio de curtas vidas eternamente
As lágrimas que enchem de vazio meu coração se extraviam


Abrace-me agora, deciliosa tranquilidade
Dá-me um mundo de maravilhosa paz!
Acalma o grito desesperado em meu coração


Oh, morte aproxima-te
Salva-me deste vazio frio mundo
Oh ,vida, tens me matado
Então me poupe deste caldeirão de miséria


Na vida eu choro, pra longe eu vôo
Escolhido para cair dentro destas paredes
O arrebato da dor é encontrar a todos
O rapto da dor é tudo!


Oh, derramo uma lágrima pela perda da inocência
Pelos espíritos abandonados que sofrem... em nós
Chora pelo coração que se rende à dor,
Pela solidão dos esquecidos atrás


Eis a dor e a tristeza do mundo,
Sonho de um lugar longe deste pesadelo
Dá-nos amor e unidade sob o coração da noite
Oh, morte, aproxima-te e nos dê vida.


Tradução de "Death, come near me" de Draconian

Que bosta de depressão maldita. É assim que me sinto hoje e essa desgraçada que não aparece pra liquidar meu fado

segunda-feira, 30 de maio de 2011

ÚLTIMO SONETO


Já da noite o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!

Do leito, embalde num macio encosto,
Tento o sono reter!... Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!


Álvares de Azevedo - Meu maior ídolo, meu mestre, minha inspiração.

Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Saramago?   Pff!!!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

ETERNECER


Cada segundo uma oportunidade
A verdade o hoje, o agora, o presente eterno
Lembranças são cristais reluzentes
Frágeis tal que se quebram e não tornam
Mosaico formam, sem uno
Dispersam , regressam disformes, impuros
O futuro?
Não que incerto seja
Apenas o que não existe almeja
A paz benfazeja, utópica esperança
Tenho sonhos de criança, menino que sou
Sonho com um mundo onde não há mal
Onde o tempo atemporal
Sonho com o nada
Meus projetos eu busco
Grito, corro, luto
Porque sei que esta vida é certa
Como certa é a morte
Meus amigos, meus irmãos
Sanguínea descendência?
Pífia indecência
Inimigos?
Fodam-se todos
Não tenho deus nem mesmo religião
Sou filho da razão
Não vivo de ilusão
Sou certo, reto, direto
Efêmeros valores são para tolos e covardes
Arde em mim a paixão
Em meu coração o amor a uma linda mulher
Que me quer, me deseja, me tem
Sou sim seu refém
Árvores já plantei, centenas delas
Filhos os tenho, orfãos, do mundo são
Absorvidos pelo mundo cão
E minha vida é rabiscar sandices
Amores, paixões
Heresias, blasfêmias, poesias
Às vezes, hipocrisia
Fruto da  minha exacerbada idiossincrasia
Autêntico, insano, livre, louco
Espero crescer mais um pouco
É isso realmente o que quero
Voltar ao pó, minha única sina
Que espalhe, a natureza, minha mãe divina
Pelo universo a energia de meu ser
E meu espírito pagão abrace por todo eternecer

segunda-feira, 9 de maio de 2011

DE VOLTA À SOLITUDE


Não quero mais esta vida ingrata
De tortura me farta essa desventura
Do exílio o fétido lodo causa-me náuseas
Tristezas latentes, abutres que são, me devoram
Apavoram meus tantos eus, solitários todos
Lá fora, o gélido inverno me aguarda
E não há nada que à luz me leve
Em breve partindo estarei
Ao inferno voltarei, se é que já não o vivo
Cativo do ferro corrente, demente
Minh'alma brasas chora pedindo clemência
Inocência? Não quero mentira eterna viver
Quero sim morrer, meu merecido descanso
E no frio Carrara cobrir-me de negro celeste
Putrir-me de peste em contínuo lamento
Esse sórdido tormento meu de cada dia
Lá no rincão, narra o corvo meu fado
E de lamúrias me farto, naufrago em efêmeras lágrimas
Choro a saudade, essa megera de mil liras
Dedos mil a compor a canção do adeus
Quimera que zomba, gargalha do pranto meu
Maldita que, no apogeu da paixão, as garras cravou-me no peito
E num golpe estreito arrancou-me o coração
Não mais suporto a solitude, não suporto essa dor
Desejo a plenitude, quero de volta o meu amor
E que o lavor de meus versos tornem ao brilho, à imensa candura
Não permita meu bem que essa una estada me guie, me leve a loucura
Não deixe que a distância e a vil solidão cavem nossa sombria sepultura

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ó MORTE!


Ó morte, doce amiga, minha sorte
Me acompanhas o caminho passo a passo
Meu destino determinas, vida em laço
Onde vou tu vais feito dama escorte

Muda testemunha de meu pífio norte
Me despeço deste mundo em teu braço
E não há o que escape ao teu compasso
Tu decepas a vida, pois, num só corte

O céu sobre meus olhos, vil escuridão
Pio mocho triste nem escuto mais
De horrores supura mia núbia razão

Lágrimas não farão chorar meu coração
Sob a lápide meu corpo imundo que jaz
À soluta poeira torno imensidão

segunda-feira, 25 de abril de 2011

DESESPERANÇA


Nada resta a fazer neste mundo vazio que jaz sem amor
Me toma a tristeza, a angústia me invade, clama a morte minh'alma, tortura-me a dor
Não sinto em meu ser o prazer da paixão, teu nobre calor
Sequer teu perfume de rosas, teus beijos melados, teu doce sabor
Nem mesmo a alegria de teu sorriso encantador
Quiçá o brilho marcante do teu esplendor
Não ouves meus gritos, não ves meu clamor
Meu sangue esfria fugaz enquanto na pele não há mais fervor
Tudo é gris, tudo é triste e me vejo só, nesta estrada sem cor
As trevas me alcançam e o sentimento que chega é um grande pavor
E a solidão me torna prisioneiro nessas muralhas de horror
Meu corpo, quase sem vida apodrece, já mostra o fedor

ADEUS


Meus passos perdidos nesta sombria estrada do fim
Dormentes, meus pés já não respondem 
E esta caminhada me afasta da luz
A cada marco meu cansaço é menor
Já não existe a doce brisa em meus pulmões
E o meu coração se cala em trevas
Sinto as lágrimas caírem de ti, em meus olhos, que nada veem
O frio me invade e o rigor me torna pedra
A canção ao longe soa triste: Prisioneiro em teus olhos
O céu, apenas vazio, não há nada na imensidão
Não há vida além, não há ninguém
Sinto as lágrimas caírem de ti, sobre mim, em rosas de adeus
Este alívio em minh'alma não quero
Quero-te apenas, amor!
Não quero a morte. Não quero a dor
Sei que terei o horror desses vermes nesta solitária escuridão
A corroer meu corpo, meus ossos, meus olhos
Aqui, onde moram lamentos, onde morre a esperança
O inverno negro me aguarda com o fedor de triste lembranças
Mas nada é eterno e aqui neste sítio ao pó voltarei
E, quem sabe um dia, há de sorrir-me a vida
Mais uma vez
Pena que, se houver, será sem o teu amor

quarta-feira, 6 de abril de 2011

SAUDADES


Mesmo depois de tanto amar, voltei à solidão
De meu coração escorre um fétido mar de caldas
Negro prurido exala este meu hálito de dor
Nosso amor grita por eterna liberdade
Mas impera a iniquidade do Senhor das Trevas
Manhãs núbias, vidas incertas, certezas dúbias
Tardes de névoa, tardes gris, nosso canto, infeliz pranto
Noites geladas, a neve machuca, o frio ataca esta minha estrada
Não há luz nem fogo, o que nos aquece é nossa paixão
Mas a escuridão insiste em nos ater, não existe mais o amanhecer
O sol pálido invade min'alma, o amigo não pode trazer-me de volta
Meu amor está longe e suas lágrimas me ferem como punhais
E os rompidos cristais estilhaçam e vazam minha carne
Meu sangue jorra um choro maléfico
Que infesta as margens da minha esperança
Já não mais se alcança, não há cânticos de desejo
Nem enlevo, quiça o êxtase que nos uniu
Você partiu e a distância aniquila meu ser
A luz se esvai, nefasta aguarda-me a sorte
Presságios da morte, megera que drena e a vida me acaba
Sinto um vazio em meu peito e esse sofrer já não tem jeito
Preciso estar junto a você ou morrerei
Partirei sem dizer adeus
Quero de volta as lembranças de nosso amor
E essa dor, mandá-la ao inferno
Quero beijar, abraçar, amar novamente
Em meu mundo presente, aqui, agora
Lá fora o frio humilhado, distante de nós
Quero ouvir a sua voz
Preciso banir a tristeza de mim

domingo, 27 de março de 2011

REENCONTRO


...e este amor que dói no peito, minh'alma corrói, destrói,
Mas não tem jeito, não sei o que fazer
A distância me consome, estupra-me a razão
E não há o que me console
É como se fosse perda de minha própria prole
Não tem como doer mais, é dor de infarto
E desse engano estou farto
Me vejo estupefato, boquiaberto por sofrer tu'ausência
Talvez seja culpa de minha idade, por meu fim estar perto
Meu martírio é mais que certo
Talvez morrer seja a solução
Porque a solidão é megera, é circunstância mera
Mas é fera que devora  minha instância
Como terremoto aniquila minha estância
E, perdido em lágrimas,  que tua imagem é vida eu noto
É dádiva comtemplar tua foto
A certeza do reencontro é saudade
E a saudade é fato
Sentença de efêmera importância
Não vou morrer, vou matar essa distância
E eternamente ao teu lado vou viver

domingo, 20 de março de 2011

SOLIDÃO


Em sonhos, em loucuras, em profunda tristeza me encontro
A solidão me acompanha como se fosse minha própria sombra
Pecados, desgraças, lamentos
Como a brisa que vira vento
E torna furacão, crescente tormento
Devastador, constante em meu ser
O calor foge de minh’alma
O frio gela, congela, petrifica minh’aura
Engole a luz do meu viver
Mentiras são chamas que alimentam meu pesar
Lágrimas são armas que extinguem meu penar
Pra que eu resista mais um pouco
E não me torne um louco
Louco de tanto te amar
Meus sentidos afloram à pele
Vejo tua bela figura
Cheiro os aromas que exalas
Degusto tuas carnes mais íntimas
Percorro ávido todo teu corpo
Tua  voz ouço no mais puro silêncio
O tempo todo sinto, te sinto em mim
Tua ausência é pra mim um estado de graça
E por mais que eu faça não tomo tento
Me acalento com as lembranças que tenho de ti
Saudades, certezas de tua volta
Para os meus braços
Nada mais me importa e nem me resta
E nesse inverno que me encontro tu és meu anjo
Negro arcanjo
Criatura de ébano eterno, da escuridão de todos os dias
Ser divino da noite gótica que esconde a lua
E tranca o amor em meu peito
Com seus grilhões de aço nobre
Pra que de paixão eu me afogue
E não sofra mais por não ter-te junto a mim
E pra que de ti  jamais me esqueça
E se tu te esqueceres de mim um dia
Que me leve a agonia
Que finde a minha vida com um breve estampido
E que eu fique morrido com um tiro na cabeça