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quarta-feira, 11 de abril de 2012

TRISTEZA INSANA



Que triste esse mundo será quando partires

A rosa, insípida e inodora,

saudosa do teu perfume inspirador, murcha

O pixarro, outrora falastrão,

mudo afora dos tempos, sem teu violino

Em tom gris, o arco-íris se perderá

e seus prismas, nem mesmo aos olhos de Rá

Dos frutos melados e do mel, escravo de tua doçura,

internos em louca clausura

O Sol em trevas sucumbirá

quando não houver teu sorriso a tocar,

seus raios far-se-ão inútil radiação

Só eu não sofrerei

Há muito partido,

seco, sem sentido,

ao pó à tua espera estarei

sexta-feira, 6 de abril de 2012

LAMENTO!



Sozinho mais uma vez

Ah! Como é amiga essa minh'amiga solidão

Sempre companheira

Ao meu lado dia e noite

Como cão, sorrindo pra mim

Sem querer saber se sou bom ou ruim

Apenas dia e noite ao meu lado

E tu, não quiseste esse infortúnio

Agora é tarde

A solidão é meu viver

E jamais irei abandoná-la

Ela ocupa o sofá que um dia foi teu

Lamento!

segunda-feira, 12 de março de 2012

ESTRANHA CADÊNCIA





São esses meus passos
Bambos, contraditos em areia
Confusos na linha do tempo


Tento diluir o mistério
Mas não há pista
E nem motivos os tenho


Tudo isso não é utopia?
Célula de algo ainda maior?
Maior que este universo?


Tão grande, mas onde só cabe nós dois
Pra onde foi nossa ciranda?
Quedada num efêmero cotidiano


Da solidão ferina de minh’alma
Da estranha cadência de meu peito
Dessa ausência de teu seio


A cantiga do teu colo me faz chorar
De tanto vagar nos calos de tua lembrança
Morrendo de amor por tua partida

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

OCASO


Sem teu amor sou cão sem dono
Sou fruto do ocaso

Acaso de uma existência chinfrim
Sou noite em cama neutra
Frio e intenso de escuridão
Diferença ao mundo não faço
Nem sequer sou notado
Coitado?

Não mereço compaixão
Sou fruto do ocaso
Longe de teus beijos
Do teu calor ensandecente
De tu'aura incandescida

Sou iceberg
Vagando a esmo
Pétrido num mar de lamentos
Batendo lá e cá
Rompendo encostas e sem rumo
Sou como o ar rarefeito do Everest

Não há vida que suporte
Estou morrendo de tanta tristeza
E a luz já minguante, tão distante
Quando enfim se esvair
Será meu descanso

AMAR NÃO PODE!!!


Meu amor é assim

Meio que doudo, intenso, inconsequente

E, por amar tanto,

Como mandam as leis do ser imoral,

Sou condenado à solidão

Apontado como vil

E minh'alma impalada pela hipocrisia

Daqueles que aguardam o arrebatamento

De suas existências imundas

LÁPIDE


Rasgado, esse coração triste

Derrama chagas de dor

Abutres me rondam

Chacais me cercam

E o frio em meu sangue é senhor

Senhor de meus medos, meus pavores

Vapores de minh'alma ascendem ao céu perdido

Mas toda minha vida fica aqui

Sob o solo desse fúnebre recanto

Minha lápide é a saudade que exilou-me à escuridão 

APENAS UM BEIJO

 


Quero uma vida ao teu lado

Ao menos os anos que me restam

Hoje, escravo dessa desalmada saudade

Cativo do mórbido tempo que não corre

Tempo carrasco

Que voou quando estive em teus braços

 Como é simples meu desejo

Bobo até, que beira as razões da loucura

Culpa desse meu imenso amor por ti

Ah! Como dói a saudade

Tanto que eu daria minha vida por um beijo teu

Upado de 07/11/2011

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

SEM RAZÃO


Sem regresso, sem nada enxergar
Agora, na primeira neve do meu adeus
O inverno triste, as estações se foram
Sem regresso, sob a luz do não ser
Do não estar pra ti
Sem ter tu'atenção nem teu amor
Sou apenas um selvagem
Sem razão
Sem mergulhar em teu jardim
Louco, perdido no tempo
Solitário na brancura do vazio

sábado, 5 de novembro de 2011

ESTRANHO INVERNO


Estronda a tempestade
Cobre o Sol
Anuncia a mudança
Vejo um gris prateado
Chuva fantasma surpreende a estação
Após a chuva vem o mistério
E nubla a miséria das culpas de minha vida
E essa misantrópica melancolia?
Maldita melancolia de meus erros
O mundo, de meu exílio não vejo
Nem teu corpo quente sinto
Tampouco teus olhos lançar arco-íris nos meus
Vultos dessa chuva temporã
No julho amargo de minha solidão
Tempestade de medos
E a morte já em meu encalço
Meu rastro na areia do tempo
E eu, sem teu corpo quente
Na saudade desse triste adeus

domingo, 23 de outubro de 2011

7 CABEÇAS


Agora choro
Vivo o abismo de tua partida
Uma queda sem fim por entre os espinhos
Machuca, rasga e nunca que sara
É assim a saudade
Que toma posse já no adeus
Essa górgona maldita que sempre renasce
Ladra de nossas lágrimas
Que as rouba aos cântaros
E deixa o féu em nossas razões
O sôfrego aperto em nossos corações
Esse monstro septucéfalo
Habeas corpus de vis demônios
Da apatia, da angústia, da tristeza e do pranto
Da depressão, da dor e da morte
Ela (a saudade) com seus tantos olhares petrifica e gela
Nos torna fria lápide estátua
E nem mesmo as mais doces lembranças
Aquelas, da nossa paixão arraigada
Livra o tanino da lonjura
Desta megera resta saber a esperança
Que o amor a faz mortal
E a manda ao inferno
Ao toque do reencontro

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PRA SEMPRE

Sozinho aqui
Sob esta pedra fria
Abandonado
Condenado a desistir
Lembro de ti
Lembro de mim
Lembro de nós dois
Lembranças de teus incandescentes sorrisos
E do nosso amor
Das chamas que envolviam meu coração
Esse coração agora gelado
Eternamente gelado
Como se o inverno fosse aqui
Pra sempre
Na solidão de minha nova morada
Sob trevas
Apodrecendo no frio da terra quente
De volta ao uno do nunca mais
Solitário como nasci
Para sempre

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

SAUDADE, VOCÊ ME PAGA!

Meus versos perdem a cor
Desbotados de saudade, essa vil megera
A pena, já falha de tinta seca
Errante, mesmo que as linhas insistam retidão
Trêmulas por minhas mãos chorosas
O fino papel, agora amarelecido pelo tempo
Cansado das rugas forjadas por áridas lágrimas
E minha verve, desconexa, detém-me a inspiração
Confundo amor com dor, paixão com solidão
Prefiro a morte à vida
O silêncio à bradar meus sonhos nos teus braços
Ébrio neste vinho vermutado, salobro
Da garrafa verde, esquecida no canto amargo
Donde, um dia, teu sorriso adoçou minh'alma
Da taça, em teias exilada e rubras evidências
Em minhas lembranças não vejo a primavera
Nem a candura da lua ou das estrelas o silêncio
O canto do trinca-ferro é cavo, sem graça
O pio do mocho, chocho, já não me assusta mais
Tudo está apagado, recluso na escuridão
Mas antes que a Terra translade seu ciclo hei de novamente sorrir
Rir a toa, eu sei
E o arco-íris tornarei rabiscar
Sei que em breve em teus lábios estarei
E a tristeza, outra maldita, afogarei
Feliz, à saudade da saudade brindarei
Ah, saudade!
Você ainda me paga

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

PASSANDO POR CÁ


Sexo bruto, sujo, sem amor
Macho, fêmea, pseudoamantes
Prole enfim
Sombria conceição
Apenas hormônios à flor
Aleitado pela mama desalmada
Desmamado, cresci criança
Chorando
Sorrindo
Vivi precoces paixões
E emoções mil
Molecagens e dogmas
Traquinagens ou doces
Pesadelos e sonhos
Impetrados em meu ser escravo
Questionados em meu livre pensar
O tempo, rumo à hipocrisia dominante
Então o trabalho
Por imundo papel
Senhor do mundo
Velhos medos
Novas culpas
E o temor ao mestre das bolhas de sabão
Casa
Carro
Shopping
TV de plasma
Pasma alienação
Poder!
Decepção e desesperança
Vergonha de minha humanidade divina
E minha semelhança fantasma
Visões em meus grisalhos e rugas
Hipertensões, amálgamas amargos
Certeza que ao mundo vim só
Passando por cá, só, estou
E só partirei
Sem nada que possa levar
Nem alguém a me acompanhar 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

BEIJOS DA PESTILÊNCIA


Tem certos dias em que olho a janela
Olho e vejo o reflexo de minha depressão
No cristal embaçado por meu hálito triste
Onde lágrimas cintilam por não ver nada além
Ao fim da estrada ninguém, apenas folhas secas
E flores mortas, dizimadas pela saudade
Pela lembrança de ofertar-te um botão
De perfume sutil, como é teu perfume
Recordo teus lábios em largos sorrisos
Sorrisos em forma de luz
Da tua face morena, enrubescida
Teu dentes brilhantes, gritantes, escancarados de paixão
Meu peito aperta e o sangue gela
Sinto frio lembrando teu calor
Tenho náuseas, vertigens
Sinto falta do teu amor
Dos teus beijos ardentes
E na cadeira balanço
No terraço embalo a melancolia
A miséria que vivo longe de ti
Amuado em desespero implode meu coração
Enclausurado pelos beijos desta pestilência maldita
Que é estar só, sem tu em meus braços
Tendo como concubina a solidão

sábado, 6 de agosto de 2011

CERTAMENTE


Talvez um dia descanse minh'alma
Talvez este mar de prantos jamais
Talvez estrelas lumiem meus sonhos
Talvez, luídos, vanesçam meus pesadelos
Talvez apagados no tempo urgente
Talvez esse tempo me espere, não corra
Talvez meus ígneos conflitos ignore
Talvez meus valores, a priori, aprimore
Talvez meus demônios, com luz, exorcize
Talvez, finalmente, os anjos me guardem
Talvez meu sorriso acenda, a tristeza apague, a felicidade sorria
Talvez a distância volva-me o amor
Talvez assim a hipocrisia nos deixe viver
E, se porventura, liquide tantos talvez
Certamente ao pó retorne em paz

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

VOZES


Vanescem as cores de minha vida
Adiante, o tempo incansável caminha
A candura de minha inocência se foi
E minh'alma, em tônicos cinzas, dissipa
Até que a divina escuridão repouse em mim
Meus medos, os tantos de minha estrada
Aos poucos minaram minha tão sonhada revolução
Tornando-me solitário, torrente em lagrimas
Pleno em tristeza
Vozes falam-me agora
Profetas de minha loucura
Frutos de um porto sem cais, de amigos fantoches
Meus olhos, profundos no mar de minha razão
Perdidos no pântano de minha esquizofrenia
Donde talvez se aninhe o paraíso
O nirvana de minha humanidade mesquinha
Onde não haja beijos de trinta vinténs, quiçá
Minha pestilência incontida não posso negar
Tampouco o egoísmo arraigado em mim
Sanguessuga de meus sentimentos
Me resta redimir meus pecados
Viver este amor profano, meu último amor
E suspirar sem dor meu derradeiro lamento

TRISTEZA

A tristeza me invade agora
Lá fora a garoa gelada salpica o asfalto
E eu, aqui do alto de meu delírio, viajo por nuvens sombrias
Misérias de meu pensamento
Vivo a saudade, clausura demente
Carente de afagos do meu amor tão longe
E tão longe se vai minha alegria de viver
Meu desespero é tal que definho
É frio meu ninho, amarga é minha esperança
Chorar de saudade me cansa
O peso da idade notório se faz
O sopro da vida se esvai de forma fugaz
Falta-me o ar nos pulmões esfumaçados
Mais um cigarro fumado
Outro trago na gentil aguardente
Meu sonhos já todos rotos
Largados no esgoto, riem de mim
Estou que não me aguento, perto do fim
Ébrio em meu éden etílico
Louco à espera da morte
Que a sorte, em breve, me tire essa dor
E acabe de vez com essa míngua de amor

sexta-feira, 29 de julho de 2011

HOJE


Hoje!
Ah! Como hoje estou
Tão eterno como jamais estive
De emoções pleno, reticente em razões
Ciente do fluxo dos meus ódios, amores e ópios
Senhor de minhas ilusões
Ódios distantes, mas vivos
Ópios dopantes e remissivos
Ilusões sem nunca um crivo da realidade
Restam-me os amores
Cativos e eu nem aí
Nem aí com meus ais, pois, se foram
Quais amores?
Os melhores, maiores, os mais puros
Meus filhos, prole bendita, divindades de meu clã
Terra, a natura mãe, portadora de minha essência pagã
A luz, o ar, o sorriso são meus
Vitais e arraigados neste coração apaixonado
E minha amada, senhora de meus suspiros
Cada um deles
Portanto, o que me importa o ontem?
Apenas lembranças além consumidas
Ardidas no crematório de meu corpo defunto
Quiçá, junto aos vermes do ciclo
Sorvidas nos sulcos da carne putrefata
Servidas nos sucos de minha existência inexata
E, o que me importa o amanhã?
Cada passo alcançado é passado
Cada fruto colhido, taxado
E nem sempre a pena vale
O hoje é assim
Não foi nem nunca será
É!
Em breve evento
Apenas momento
Etéreo eterno
Instante constante
Finito infinito
Meu grito de liberdade está no que penso
E meu pensamento está no que sinto
Hoje o que sinto são meus amores
Filhos, a natura mãe, a vida
No apogeu da alegria
De cada dia
A paixão desmedida
Desenhada
Desencadeada
Desenfreada por minha querida Alexandria

segunda-feira, 18 de julho de 2011

TRAGOS


Essa nódoa gris que é minha vida macilenta
Nojenta e lodosa é minh’alma
Sentado aqui sem ter o que fazer
À espera de morrer, fumando como louco
E rouco de tanto gritar em vão
Querendo teu perdão, mera ilusão
Melhor seria ter calado
Mas embriagado brinco com a sorte
A morte não me leva, mesmo que implore, pragueje e chore
Choro por nada ter além de lágrimas
Pálidas alusões de um futuro sombrio
Vazio em meu peito
Onde estão minhas paixões?
A música ao fundo, melancólica, me faz sofrer
À espera de morrer, fumando como louco, outro cigarro
No canto da sala eu escarro tentando expulsar a podridão que me afoga
A saudade é minha droga, nela me afundo, me escondo do mundo
Não quero ver ninguém que não seja minha amada
Queria tê-la junto ao mim, pertinho de meu corpo
Aninhar-me eu seu colo, sentir seus lábios junto aos meus
Ó meu Deus, onde estão meus sonhos?
Rompidos em cristais já não me refletem a ventura
E esta loucura que danou minha razão
Sangra meu coração partido
Agora estou caído, já meio desfalecido
À espera de morrer, fumando como louco, outro cigarro, mais um trago
O último que às náuseas me leva
Tento resistir, levantar a cabeça
- Meu amor, jamais esqueça, eu não queria assim partir
- Sem teu carinho é triste meu fim
O veneno corre por minhas veias, fugaz
 E não há paz sem te, os cabelos cacheados, afagar
Sem o macio do teu seio pra feliz minha luz se apagar

CANSEI!


De tantos ais que nem recordo, cansei
Cansei atrás de ti correr
Tuas juras, sempre em fatias, fatigam meus dias
Ao tempo nunca certeza procedem
Extenuam-me essas juras vazias
Cansei de ti, teus mimos, tuas manias
Teus beijos já não me acendem as veias
Nem ascendem minh’alma aos céus
Tua voz, as notas musicais de teus lábios
Nem mesmo entre teias um só acorde perdido
Nem mesmo um tépido suspiro teu em meus lençóis
Na alcova de penas em noites quentes de lua
Deleito vadio em meu travesseiro
Insone, pensando em ti, enlevo garrado
E tu’imagem, apenas crida em meus sonhos
Nunca que o sopro divino à luz concede
Sequer tua carne concebe a minha razão
Tua dissimulada inocência me estafa os miolos
Mentiras e fugas me enredam tristeza
Reticente, de passos in retro
Tantos porquês só me afastam de ti
E tu, cativa em meu cristalino
Te escusas entre lágrimas de adeus
Inda que de molesta paixão enlouqueça
Deveras ferina saudade eu morra
Cansei!