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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

MENINA BONITA


Sentada alí, sorrindo, Larissa
Seus olhos, gotas cintilantes de mel
Torneados em sedutor grafite
Sua boca - Ah! Que boca!
Vertigens
Tagarela e envolvente
Hipnótica
A encantar-me em ecos lilases
De sonhos obscenos, pura magia
Eu, blindado por seu sorriso Carrara
Ela, linda como as musas de Drummond
"É um andar vestida de nudez,
inocência de irmã e copo d’água"

E sua face rosada, de covinhas sensuais
Convidando-me a viajar por seus lábios
Eu, de tantos amores escravo
De fácil paixão, boquiaberto
Imaginando, um dia, residir em seus braços
E louco, entorpecer-me em seus beijos
Afogar-me em seu veneno sagrado
E, mesmo amando tanto outra mulher
Jamais poderei olvidar tão doce beleza
Tatuada em minh'alma sempre estará
Preso àquela imagem estarei
"Ela, sentada alí, sorrindo, Larissa"

sábado, 16 de julho de 2011

YUMI


Na primeira vez que a vi, eu estava restaurando um portão de madeira na residência de uma cliente, no Jardim da Saúde, São Paulo – capital. Num sol de rachar, imerso em pó de madeira e lambuzado de verniz quando ela passou com seu cãozinho e disse bom dia. Até aí, coisa normal, visto que naquele bairro as pessoas são extremamente educadas e têm o bom hábito de cumprimentar, mesmo os desconhecidos, cousa já perdida por nosso povo mal educado e avesso à lenda de ser hospitaleiro. Só que deste cumprimento duas coisas ficaram marcadas. Seu perfume, que deixou um rastro sedutor e acendeu de uma só vez, todos os meus neurotransmissores, deixou meus hormônios à vista, de forma que era possível até vê-los a olho nu, acreditem. O outro fato marcante foi que ela olhou pra trás uma, duas, três vezes e outras mais, até desaparecer de minha visão, ao dobrar a esquina. E eu ali parado, atônito, bestificado, vendo sua beleza esguia se ir ao longe.
Passados alguns dias, eu estava à noite, numa conveniência, comprando cigarros e recarregando o celular (pra poder falar com minha ex-mulher. Pff!) quando ela apareceu como num passe de mágica, ao meu lado. Pediu uma coca-cola, uma carteira de cigarros aromatizados com cravo e uma caixinha de balas, aquela tal de Tic-Tac. Paguei o cigarro e a recarga e saí meio sem graça, mas decidi esperar por ela. Quando ela saiu, meio trêmulo, indaguei se poderia falar-lhe. Adivinhem o que ela me respondeu? Pasmem! Ela disse: - Demorô! Aí que fiquei mais sem graça ainda. Então ela continuou: - Mas antes o senhor vai ter que trocar o pneu de meu carro, “tio”. Eu repliquei: - Demorô! E, lá fui eu lambuzar as mãos de fuligem. Quando terminei, ela ordenou que entrasse no seu carro, pois, me daria uma carona em retribuição. Recusei, alegando morar à apenas uma quadra dali, o que ela não aceitou de forma alguma, dizendo: - O senhor ainda não percebeu quem manda aqui? Além do mais, o senhor não queria falar comigo? E sorriu. Entrei em seu carro e congelei, não disse sequer uma palavra, a não ser “é aqui onde moro”, dois minutos depois. Ela parou e pediu meu telefone porque estava com pressa, pois, seu irmão já havia ligado querendo saber onde estava. Disse que no dia seguinte ligaria pra mim, pra podermos marcar um bate-papo.
E não é que no dia seguinte, pouco antes das sete da manhã, ela ligou? Conversamos ao telefone por um tempo e marcamos sair à noite. Eu já estava pensando que fosse uma garota de programa ou qualquer dessas tantas mulheres fúteis que havia por aí, de tão fácil que estava a coisa. Ledo engano.
Yumi é uma mulher que, tenho certeza, habita os sonhos e fetiches de todo homem que os olhos nela põem. Nos seus poucos um metro e cinquenta e seus escassos quarenta e cinco quilos, cintura “finézima”, seios mínimos e um bumbum arrebitado além dos padrões de uma nissei, ela é simplesmente um encanto. Dona de uma fala suave e vocabulário perfeitinho, ela mais parece uma colegial de fantasias eróticas, com saia rodada xadrez, camisa branca e gravatinha. Um estrondo de perfeição.
À noite, por volta das 21:00h, ela ligou e disse estar em frente de minha casa me esperando. Eu já estava desfalecendo de ansiedade e duvidando que ela ligasse, mas, não é que ela não só ligou como também estava à minha espera, na minha porta? Saímos, bebemos, falamos, rimos, contamos nossas vidas um para o outro, até a hora de irmos embora. Paguei a conta, deixamos o barzinho, entramos em seu carro e, já meio zonza pelos vários drinks, pediu que eu dirigisse, então trocamos de posição sem descer do carro. Ela passou pro passageiro roçando seu corpo estonteante em mim, parou por uns instante em meu colo e disse: - Passa pro outro lado e vamos logo, vou deixá-lo em casa. Assim que tomei a direção ela encostou sua cabeça em meu ombro, colocou a mão direita em meu peito, por dentro da camisa e foi por todo o percurso me acariciando e dizendo palavras desconexas, chegando ao absurdo de se dizer encantada por mim. Dei boas gargalhadas, ah, se dei.
Quando chegamos à minha casa ela perguntou: - Posso dormir aqui hoje? Não tenho a mínima condição de dirigir. Respondi que sim, mas desconfiado que não dormiríamos e, realmente, não dormimos. Passamos a noite fazendo amor, numa loucura absurda e eu preocupado com o vizinho geminado reclamar dos ruídos, gemidos, gritinhos e urros. Meus vizinhos sempre diziam nem notar minha presença, exceto quando eu estava com o som ligado. Nos fundos da casa onde eu morava existe um estúdio de gravação com um belo jardim e uma piscina enorme, os quais, por vezes eu fazia manutenção e, num dado momento, quando eu preparava uma bebida, pro meu espanto e desespero, onde estava Yumi? Na piscina, nua. Medo que ela se afogasse e medo que o vizinho percebesse sua presença e, no dia seguinte, fosse reclamar com meus amigos do estúdio, do meu comportamento inoportuno. Era um acordo que tínhamos: Não levar mulheres em minha residência e não utilizar a piscina.
Na manhã seguinte ela se vestiu, me deu um longo beijo e disse agradecendo que nossa relação fôra apenas sexo, que voltaria, mas com a condição de eu nunca me apaixonar por ela. E não me apaixonei. Ela sim se apaixonou por mim, acho. Durante um ano nos relacionamos, transamos de tudo quanto é jeito. No mesmo dia ela me ligou à tarde dizendo estar com saudades e que queria me ter do jeito dela. Durante dias foi assim, trocamos telefonemas carinhosos. Hora ela me ligava, hora eu ligava e sempre dizíamos sentir saudades. Até que ela resolveu marcar um segundo encontro.
E nesse segundo encontro ela revelou sua tara. Uma mulher dominadora, que me queria apenas como escravo de seus desejos. Adeus menina doce. Sua metamorfose vampiresca muitas vezes chegou a me assustar. Perversa e pervertida, meiga e contundente na arte de amar. E jurava não conhecer na prática nada sobre sado-masoquismo, que tudo o que fazia era fruto de sua imaginação e de comentários que ouvia em rodas de amigas. Sei lá! Algumas vezes trocamos os papéis e ela também adorava ser dominada, apesar de não ser sua preferência, mas eu não tinha coragem de machucá-la, tal sua delicadeza e fragilidade quando subjugada.
Menina rica, estudante de veterinária, oriental e vinte e tantos anos mais jovem que eu. Mimada pelo pai e super protegida pelo irmão ciumento, retrógrado e preconceituoso. Foi ele o maior responsável pelo nosso rompimento. Descobriu onde eu morava, me perseguiu, me agrediu, chegou ao absurdo de ameaçar-me no trabalho, dentro da casa de um cliente, o que causou o rompimento do contrato por quebra de confiança e, consequentemente, a perda de futuros negócios com aquela pessoa. Também havia o problema da minha paixão doentia por minha ex, mesmo sabendo que aquela relação de anos desgastada e nauseante não duraria muito, eu insistia por sofrer de desamor. O bom nessa história é que minha ex só permitia ficar comigo aos sábados à tarde e aos domingos, portanto, passei sextas-feiras maravilhosas ao lado de Yumi e manhãs de sábado realmente extasiantes.
Na última vez em que estivemos juntos fui obrigado a dizer-lhe que nossa relação era só sexo, coisa que ela mesma propusera quando nos conhecemos. Naquela noite, em minha casa, no bairro Sacomã, em São Paulo, ela chegou por volta das 22:30h. Mini-saia preta e uma camisa de seda, também preta, com pequenas estampas vermelhas e douradas, coisa de gueixa. Ela estava especialmente linda, lápis preto delineando os olhos, rimel realçando seus enormes cílios, brincos de argolas enormes  e um coque prendendo seus lindos cabelos negros, fixados por um palito sei lá que nome, batom carmim que dava um toque todo sensual àquela pequena e devastadora boca e sem uma gota de perfume, cheirosa ao natural como sempre apreciei. Cheiro e gosto de mulher, apenas.
Como sempre, de pronto ela tomou o comando das ações. Com dois pares de algemas que retirara da bolsa prendeu-me as mãos à cama. Meus pés, os amarrou aos pés da cama, com o nó que eu mesmo ensinei nos dias em que ela me ajudou num trabalho quando tive que içar vários materiais ao pavimento superior da edificação em obras. Ela era louca de pedra. Faltava à faculdade pra trabalhar comigo, no serviço sujo e pesado que é a construção civil. Adorava operar uma serra mármore e uma furadeira. Eu não entendia como era possível uma menina delicada daquele jeito ter aquela paixão por serviços grosseiros e por mim. Rica, jovem, universitária, linda, uma mulher que esbanjava feminilidade, sujando as mãos e destruindo as unhas só pra estar perto de mim.
Mas voltando ao assunto, naquela noite ela judiou um bocado de mim. Após me prender, rasgar minha camisa e retirar parcialmente minhas calças, ela se despiu. Por baixo daquela roupa existia um anjo vestido com um espartilho negro e detalhes em couro, uma calcinha preta absurdamente transparente e uma cinta-liga atada a meia-fina preta. Surrou-me com um cinto de fivela que tirou da saia, me rasgou o peito e as costas com suas garras afiadas, me afogou com vinho, me beijou com sofreguidão impar, me mordeu as bochechas, o queixo, o peito, a bunda e mais onde a imaginação pode nos levar. Mordidas incisivas que deixaram marcas de seus dentes em meu corpo por vários dias. Desferiu um murro no meu nariz que sangrou um bocado. E chorou. Tudo isso sem dizer uma palavra, um só pio, regado à trilha sonora de Motörhead, puta som do caralho (não há um só louco que não seja apaixonado por som tão vibrante e podre). Ela me usou do jeito que quis. Fez de mim seu escravo como nunca dantes. Fez amor de forma furiosa, parecendo querer se vingar do que estaria por vir.
Então abri o jogo. Contei de minha paixão por minha ex-mulher e as sandices que seu irmão estava cometendo. Disse que me mudaria pra uma cidade do interior, pra resolver problemas familiares e passei-lhe meu futuro endereço. Chorando ela recusou, rasgou o papel onde eu anotara e saiu batendo a porta pra nunca mais nos vermos.
Por tempos tentei falar-lhe, pedir perdão por não tê-la amado como deveria e restaurar nossa amizade, mas quem disse que ela falava comigo? Às vezes ligava pra mim, na madrugada sempre, pois sabe que durmo pouco, nunca antes das duas da madrugada. Atendia e ela nada dizia, permanecia muda e, com isso, eu não entendia o porquê desse indigesto flagelo. Depois de dois anos e meio, o único contato que tivemos foram esses malditos telefonemas esporádicos às madrugadas insones, minhas e suas, onde ela não dizia palavra e após ouvir minhas súplicas, pra que ao menos dissesse um alô, desligava abruptamente.
Com um novo e grande amor em minha vida, há um ano vivo feliz por demais da conta e nem me lembrava que ela pousou um dia em meu colo, em meus braços, em meus sonhos, no meu coração, mas essa noite ela voltou a ligar, da mesma forma, muda. E eu? Tomei no rabo, é claro. Passei a noite sem dormir. Com saudades chagásicas de minha namorada, que amo mais que tudo na vida e uma pena homérica de Yumi, a minha sádica concubina do passado que hoje se transformou em mancípia masoquista.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

IDILENE E O SORRISO


Vocês já viram uma mulher bonita? Vocês já viram uma princesa que o tempo não maltrata? Já viram um sorriso gargalhado numa face angelical? Alguém conhece uma mulher encantadora desde a tenra idade e que, com o passar dos anos e décadas, não mudou em nada o seu jeito de ser?

Pois eu conheço. Idilene é uma musa de minha adolescência. O dia em que eu a conheci nunca me saiu da memória. É óbvio que me encantei com seu sorriso. E me apaixonei por suas gargalhadas, as mais gostosas que presenciei em toda minha vida.

Sua alegria de viver sempre foi-lhe uma estampa, sua marca registrada e, hoje, quando a encontrei, recordações me trouxe. As mais lindas e puras recordações. Ela me encanta e sempre me encantou.

A danada tem uma irmã que é uma das mulheres mais lindas que conheci: Irani, uma deusa. Não a vejo há anos, mas o tempo provavelmente foi generoso com ela também, tenho certeza.

Idilene é uma das tantas mulheres que fiz sofrer, eu e minha galinhagem e, sei que ela me amou muito. Tá certo que ela ainda era uma adolescente, mas era de uma precocidade rara e o animal aqui a fez chorar e, por tempos, perder o sorriso magnânimo, mágico, estonteante.

Felizmente sua alegria de viver logo voltou e ela não perdeu a graça e o feitiço. Seus avantajados cílios, seus olhos grandes e arregalados, suas covinhas acentuadas e sua felicidade escancarada e escrachada continuam presentes e evidentes como sempre foram.

Ela realmente é linda. Ela é realmente apaixonante. Ela é um encanto, um feitiço. Idilene é uma mulher que todo homem sonha ter.

E todo imbecil ousa perder.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

MEL

Carmella voltou. Dezoito anos se passaram, mas não pra ela. A beleza de seu rosto, seu sorriso e seus absurdamente maravilhosos olhos violeta estão intactos. Não notei uma gordurinha sequer. Ela é divina.Sempre foi e em nada mudou. Não sei se o tempo e a natureza foram tão generosos ou se congelei sua imagem irretocável em meu coração. Fiquei estupefato ontem, quando a encontrei, aliás, ela me encontrou. Estava descendo aquela avenida rumo ao Shopping Center e não sei como, dentro daquele carro de vidros escuros, ela me viu, nem sei qual a marca. Nunca entendi nada de carros e não seria ontem que notaria algum detalhe, a não ser o estofamento em couro.
Nos conhecemos no ônibus, o amarelinho, um circular que fazia um percurso ligando o centro de minha cidade com diversos bairros. Existia um rapaz portador de Síndrome de Down que utilizava diariamente esta linha e gostava de importunar, na sua ingenuidade, é claro, todas as mulheres bonitas. Ingênuo, mas não bobo. E num deses seus afoitos assédios tive que interferir porque às vezes ele se tornava um tanto quanto rude. Nesse dia seu alvo era Carmella e foi assim que nos conhecemos. E assim foi que nos apaixonamos. Desde o primeiro contato.
Lembro-me da última vez que nos encontramos, dia 22 de dezembro de 1992, era uma terça-feira. Saí do trabalho e passei pra pegá-la no seu. Fomos jantar e depois ao lugar onde sempre nos encontrávamos, na mesma suite nº 4, a mesma recepcionista, Judy, a mesma camareira, Adélia. Sempre gentil e sorridente, dizia que admirava nosso amor, que queria um dia ter um igual. E foram três anos de um amor intenso, ah, isso foi.
Naquele dia, Mel (era como eu a chamava) estava apreensiva, reticente, até meio fria comigo. Queria conversar, discutir nossa relação e quando começou, desabou num choro incontrolável. Ela disse que não queria mais me ver, que não suportava mais ter que me dividir com alguém, principalmente porque esse alguém era o meu verdadeiro amor, coisa que eu nunca fiz questão de esconder. E disse que tinha o apoio dos pais e do noivo pra decisão que viesse a tomar em relação à sua gravidez.
E sua decisão foi me deixar. Aquele momento, nosso último, foi um dos piores momentos de minha vida. Ela chorava sem parar, me abraçava com tal aperto, com tanta ternura e tristeza que também chorei muito. Choramos. Por horas. Conversamos muito e sorrimos também. Demos algumas gargalhadas até, quando lembramos dos nossos momentos de encanto, de nossas guerras de travesseiro e de sua cara maquiavélica e sádica quando me afogava na banheira da sempre suite nº 4. Nua, sentada sobre meu peito e afundando minha cabeça naquele mar de água de cheiro e espuma.E linda, a mulher mais linda, que tinha (e tem) o sorriso mais lindo e os olhos mais fantásticos que já vi, como que ametista, contornados com aquele lápis preto, forte e sedutor.
Naquele dia a deixei em casa certo de que aquilo não aconteceria de verdade. Eu tinha certeza que ela não me deixaria, que voltaria atrás em sua decisão. Mas enganei-me profundamente. Passadas as festas de final de ano liguei pra ela, na empresa onde trabalhava e, pra minha surpresa e decepção, ela havia pedido demissão naquele mesmo fatídico dia 22 de dezembro. Liguei pra sua casa então e sua mãe me atendeu e pediu que eu a deixasse em paz, que ela estava sofrendo muito por minha causa. Me disse que ela havia viajado e que não era pra eu saber o seu destino. O meu desespero e o restante da história nem convém contar aqui. Eu tinha uma família, uma esposa que amava infinitamente, um filho maravilhoso e minha filha nasceu logo após e me trouxe de volta a fecilicidade e, por algum tempo nem lembrei-me de Mel, nem de sua gravidez.
O tempo foi cicatrizando essa ferida lentamente, em doses homeopáticas e nunca mais tive notícias dela. Também não fui mais atrás. E só restaram doces lembranças e a angústia de ter um outro filho e não poder ter tido a oportunidade de ao menos conhecê-lo.
Agora ela, do nada, me aparece novamente. E trás de volta as lembranças, as lágrimas, o seu encanto. Outra vez rumamos à suite nº 4 e desta vez não nos amamos. Até sentimos vontade, nos beijamos ardentemente, nos excitamos, mas a razão falou alto. Não tínhamos o direito de nos desrespeitarmos e abrirmos feridas que o tempo tratou de curar.
Ela me disse que o seu amor por mim não diminuiu sequer um milímetro, se é que o amor é mensurável. O anel de brilhante com o meu nome gravado ainda repousa em seu dedo e o pingente com minhas iniciais paira sobre seu peito, mas eu não senti a mesma emoção de outrora. Sei que o meu amor por ela ainda existe, mas não é a mesma coisa. Hoje vivo um amor como nunca dantes e as mazelas que a vida me pregou fazem com eu seja comedido em meus atos. Essa minha doença de amar tão intensamente e amar mais de um amor, duas mulheres ao mesmo tempo, às vezes até três, está sob controle.
Nesta história triste restam duas dúvidas:
- Será que é verdade que ela perdeu nosso filho, como me contou aos prantos? Não sei. Não senti de todo que ela estava sendo sincera. Acho que ela faltou-me com a verdade;
- Será que toda essa história é veridica ou não passa de um breve conto criado em minha mente apaixonada?
Só sei dizer que fatos e personagens que a compoem não são mera coincidência .

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

VANUSA


Os mais lindos brilhos estão floreados em ti
Teus olhos amêndoa, são prenda, fulguram paixão
Que em fúria de amor, me acalma e imantam minh’alma
E em raios rebeldes, fachos de verve, sequestram meu ser
Ah! Como é bom te ver, te ter, em ti amanhecer
Teus dentes rutilos refletem a luz da vida
Que em flashs eternecida dominam o universo de Deus
E eu? Confuso, obtuso, quase que bronco
Imerso em meus eus, pintado de branco
Tal é imensa tua luz que a tudo alveja
E o meu coração libertino te almeja, procura teus lábios cereja
Que em noite sem lua não sentem as trevas
Deitado na relva, olhando as estrelas
E lá, tu estás
Teus prismas se abrem e alumiam-me a fútil razão
E a tão grande emoção as pernas me dobram
E as termas que saem de ti me suam o corpo excitado
Então de joelhos, inteiro molhado, me posto a tua mercê
Oh! Deusa, divina entidade, senhora do meu querer
Escravo no tão perto alvorecer
Feliz com teus largos sorrisos cintilos
Pupilos da aura sutil, a dama da luz que explodiu
E deu vida a este universo sem fim