quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ZUMBIS DA FÉ



Todos nós num mesmo stand by, perplexos
Tentando salvar os sonhos... e pra casa voltar
A fé, realizamos mais que nos disseram
E o que era distância agora vislumbra a fronteira sem luz

Todas as nossas cicatrizes se confundem
Não há cor que as valha ou semelhança que nos amplie o ser
Nem ao passado fazemos sombra
E, em nossos olhos, lágrimas de poeira
Somos cinzas de uma neve vazia
Dia a dia... e não vamos a lugar nenhum
A inércia de nosso sangue, negro e putrefato, não mancha o covil
Nem a essência da alma recorda a via crucis
Enfim, o silêncio...
CADA VEZ QUE AS BEIJO
Porque pões tuas tetas em minha boca?
Sabes que enlouqueço, perco a razão.
Teus mamilos pontiagudos, tesos, me mantam de tesão.
Sinto-me senhor ao sugá-los.
Sinto-me escravo de tua maldade indecente.

E perco a respiração.
Não sei se por duvidar de tamanha sorte, abstrata ilusão.
Esses teus belos seios, cousa âmbar, sonho cor de mel, formato de melão.
Que mela meus delírios, de tão doces.
Sabor da pura dádiva.
Que nem os deuses do Olimpos souberam provenir de uma heroína.
E nem sequer puderam provar.
Porque pões essas tetas pra eu sugar?
Se, após teu tresloucado orgasmo, te vais e me deixas ereto.
Duro feito diamante selvagem.
Querendo rasgar-te as carnes.
Querendo de amor morrer.
Porque pões essas tuas saborosas tetas em minha boca incrédula?
Porque judias de mim assim?
Só quero admirá-las.
Não quero beijá-las.
Pois, a cada vez que as beijo, pergunto-me:
- Porque pões tuas tetas em minha boca?
 

BREVE REENCONTRO - PRÓXIMO ADEUS


Agora que poucos dias faltam

Dias esses contados nas mãos

Agora que a ansiedade domina a solidão

E a manda aos confins do último inferno


Agora que a loucura não era pra ser tamanha...


Que meu coração deveria conter seus latidos


Sinto a eternidade bandida, onde o tempo não passa


Onde o solitudo insiste em minhas lembranças


Trazendo consigo o horror da escuridão


Trazendo o desespero ao pulso de minhas passadas


E, dessa prostituta esferográfica que não arreda pé, nada sai


A não ser lágrimas de tu'ausência


Escorridas em tinta venosa


Manchando as linhas de minha saudade

Grifando a data do próximo adeus





quarta-feira, 19 de setembro de 2012

DISSONÂNCIA HEREGE

Eu, criatura, capturado no início da revolução
Definhando em minha vergonha
Manchado de fogo eterno por minha rebeldia
Tantos lobos então cordeiros
Porquanto de suas falsidades divinas
A apatia me consome
Não sou pestilência, porque o escárnio de minh'alma?
Porque essa eternidade  de terror?
Só quero minha liberdade
Minhas asas de luz

Ainda que tardia, mesmo que brinde as trevas
Quero morrer, ter meu solilóquio
Dê-me a paz
Exclua o inferno de seus planos de vingança

terça-feira, 11 de setembro de 2012

KHURSY

Banda de Old School Heavy Metal brazuca da minha amiga Ashelly. Só nós, headbangers, sabemos quão difícil é a vida artística de músicos que são discriminados pela midia e pela falta de discernimento da boiada que segue o padrão ditado pelas minorias poderosas.



http://www.youtube.com/watch?v=qje8it455YY&feature=plcp

sábado, 25 de agosto de 2012

TEU CHEIRO, MEU SONHO


Teu cheiro, meu sonho
Acordado agora
Abraçado à veste que esqueceste sobre a cama
E eu, lembrando do frasco sutil
Da fragrância cativa
Que, em gotas, liberta teus demônios, meus demônios
Quando misturadas aos cântaros de hormônios desse teu corpo nu
Expelidos como vulcão
Em bangs de loucura
Escorrendo por entre tuas pernas em laço, doidivanas
E teus seios na mi'a boca
Rijos, saltitantes, pontiagudos
E de nossas flores, nossos gritos, risos, gemidos, suspiros
Memórias de uma echarpe
Que repousa em minha mão direita
Na outra...

sábado, 18 de agosto de 2012

MARIANA


De mãos dadas, nós dois
Nos portais do paraíso
Ela e eu desfrutando do mesmo sorriso
Da mesma fortuna
E não há ipê amarelo mais intenso que os de lá
Nem rouxinóis que vibrem mais
No paraíso entre montanhas
E lá tem o querubim falastrão que nos encanta
Com sua inocência gulosa
E seus tantos Fórmula 1
Até mesmo a medusa é fan de nosso amor tão puro
Nosso tão doido amor
É lá que me farto
Em seus seios tão fartos
Em seus beijos que me fazem bambear
Tudo isso lá no paraíso
No paraíso tão breve e tão eterno
Onde repousa nosso amor

NECROTÉRIO


Agora tudo é noite
Fria noite
Das gélidas a eterna
E todos aqui, à minha volta, não olham pra mim
Indiferentes ao meu putrefato ocaso
Todos!
Insignificante naco sem vida
Vida insignificante esquecida
Antes da primavera também fria

Eles (azuis em rigor) sucumbiram, pois
São clones de meu infortúnio
Na escura tábua gelada, meu corpo gelado
E nem lembranças flutuam
Não há luz, tampouco esperança
Apenas os olhos cerrados de quem não está nem aí
Calados
De selo amarrado ao artelho maior
A espera do ceifador
E sua lâmina nada reticente
E, mesmo que me rasgue as artérias
Ou meu átrio perfure
Meu sangue não jorrará

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ESTRADA DO LEITE


Ontem estive observando a Via Láctea
Como é linda a trilha espiral dessa estrada de ilusões
De pura tormenta, expelindo esporos de luz
Cuspindo fogo
Soprando ventos solares tantos
Muitos em nossa direção
Por um tapete de alvura
Pra termos a sensação do que é belo
Pra termos a certeza que tudo vai ao longe
Ao inatingível infinito finito
E que todo esse planeta é nosso
Só e tão somente
E que devemos merecê-lo para tê-lo
Devemos aprendê-lo, antes de buscarmos novos mundos
Renovarmo-nos com cautela
Não reproduzirmo-nos feito bestas apocalípticas
Devemos notar o quão ínfimo somos
Esquecidos na imensa escuridão do universo
Minúsculos ante a grandeza do nosso Sol
E que deveríamos doar (como ele faz)
Cada instante de nossas vidas
Com amor e humildade
Sem nada em troca
Até esvairmo-nos

domingo, 29 de julho de 2012

RETORNO À SOLIDÃO


Solitário aqui
Como caçador da noite
Cheio de trevas
Congelado nesta cripta de horrores
Sem dor
No último suspiro de tu'espada
Diluído em toda tristeza desse mundo sem luz
Sem sonhos, desesperado eu choro
Lamentos inaudíveis dos que um dia foram amigos
Meus filhos sedados pela droga do abandono
Pra sempre na solidão
Frio, sem gritos, imune às pestes do mundo
Na solidão eternamente
A escuridão putrefata no colo dos abutres
Meu sangue daninho aos vermes famintos
Meu destino cósmico
O gelo em minh'alma
Espectros aos ventos que sopram sem direção
Rumo a minha natura mãe
Já sem medo da morte
Na solidão 
Eternamente