quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

LUZ AZUL

Anotaram a data da maratona?
11/02/2011
Onde, Edno?
Zé de Lima, Rua Laura, Mil e Dez
05:50
Oi, raro horário!
Após a sopa
Ande, Edna
Roda esse corpo, processe a dor!
Oras e saro." (Guilherme Pedroso)
Saíram o tio e oito Marias
E a mateira Marieta mãe?
Ato idiota
A pateta ama até tapa
Só com o tio somávamos oito moços
Ave veloz o leve. Vá
O Lilo

O trote torto
Ana, case, esse é sacana
É bebé?
É, assim a missa é
Eu, é!"
E Amaro? Faz a paz afora, mãe." (Bruno Prates)
O mito é ótimo
É a droga gorda, é?
És sapo? Passe
Ovos nele, Helen Sovo!
E até o Papa poeta é.” (Rômulo Marinho)
Ame o poema
Subiram no ônibus?

Á, já!

LÁGRIMAS DO SILÊNCIO


Dói agora meu coração
A solidão cala esta alma que ansia por gritar
Prisioneiro do vazio
Não restam olhares
Nem mesmo sorrisos
O tempo corre apressado e me empurra
Eu não quero ir, mas ele insiste
Naufrago neste deserto de sonhos
O relógio de areia me suga
Lembranças me seguem
Seus laços me prendem, apertam, sufocam
Mas o carrasco me arrasta ao fim
Sofro com orgulho
Misantrópica luz de meu ser
O mar de emoções que vivi eram apenas ilusões
Decepções de alegria e felicidade
A angústia e a melancolia são as minhas amigas
Elas sim me estendem a mão
Mil razões pra morrer
A solidão que nunca me abandona flutua em meu sangue
Então choro em silêncio
Ninguém pra acompanhar meu sofrimento
A morte concubina sabe o caminho
E me levará ao pó
Sem luz, sem vida, sem nada
Nem mesmo um espírito pagão

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

BOMBAS QUE CAEM


Elas vêm de todos os céus rompendo muralhas
Nossas casas, nossas vidas, nossas almas
São gélidas ignorantes a serviço do senhor
Mas o que esse meu sofrido povo fez?
Por que temos que pagar por sandices dos tiranos?
Nossos homens estão no front

Mutilados, extenuados, exterminados
Só restaram velhos, mães e nossas crianças
Amontoados, famintos, paranóicos
Nossos bunkers, nossas telhas
E quando chegam faz-se a luz
Que queima, que arde, dilacera a esperança
Expurga a inocência lactente
Destroça a angélica infância
Chacina a púbere latência
E nem sabem por que matar
Apenas cumprem a missão de banir o futuro de minha gente
Não me dê o paraíso, pai hipócrita
Não quero a vida eterna, despótico criador
Não é justo este paradoxo
Cuspo em teu sadismo racional
Desprezo essa tua insana bondade mimética
Brindar-me com o éden sem que ao menos eu mereça
E privar a essência donzela de provar uma humilde jornada  

INOCÊNCIA


Por que tantos cavalos nesta ciranda?
Se já não vejo seus sorrisos
Nem o vento a soprar seus cabelos lisos
Porque tantos assentos nesta roda?
Se ela está vazia, parada, sem vida
E o algodão doce derrete em minhas mãos
A música country no alto-falante não toca mais
Não vejo o velho palhaço com seu cachorrinho de pano
Onde estão as crianças que brincavam com a gente?
Quem são esses fantoches com ar de lembranças?
A lona se põe, o sol também, minha vida se foi
Meu amor de infância agora é triste
Cicatrizes na face a poeira do tempo forjou
Não há mais sentido, tampouco alegria
Pirulitos, sorvetes, chicletes ficaram pra trás
Todas as bênçãos nos foram dadas
Filhos prodígios
Status
Casa na praia
Mas a areia incomoda
O mar está nublo
O céu está mais próximo, denso de névoa gris
Nada parece ter graça
Aquela paixão ao vê-la na chuva púrpura
Aquele vestido colado aos seios precoces
Ah! Quão tênues prendas
Projeto de sedução
Trajeto de minhas mãos por todo seu corpo
A doçura de nossa adolescência
A ingenuidade de nosso tesão
Tranquila inocência
Tudo ficou no passado distante
E só agora em seu último suspiro percebi que o tempo passou
E minha vida acabou
O show não pode mais continuar

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A “MINHA” VIDA É BELA


Vou dizer o que é a beleza:
As coisas que nos deixam felizes
Aquelas que irradiam energia
Aquelas necessárias, ansiosas, urgentes
As que fotografamos, filmamos, guardamos
Um gêiser expelindo seus vapores, ungindo seus tremores
Um rio caudaloso rasgando o relevo
O mar explodindo nas encostas, adormecendo na areia
Pássaros cantando ao amanhecer
A mãe amamentando seu bebê
O pai carregando o filho nos ombros, feliz
Tem o astro rei que nos dá força, luz, calor. Vida
A lua ilumina nossas paixões, fonte de tantas inspirações
Crianças brincando, pulando, sorrindo, não tem igual
Pratos que aguçam nossa gula
Pessoas bonitas de corpo e alma
E por aí vai
São tantas as gêneses da beleza
E o amor é a principal delas
Sem amor não há beleza
Felizmente tenho tudo isso
É só estender a mão e pegar
E o meu amor maior é a minha bela
A que me encanta
Me deixa bobo
Sorrindo
Contando estrelas
Nem preciso estender a mão pra tê-la
Pois ela vive em mim
Faz pulsar desembestado este meu coração radiante
Domina minha mente demente
Minha fé herege, minhas idéias profanas
Ilumina minha alma
Pressiona o ar em meus pulmões e me faz viver
Fez de suas promessas, dívidas
Inteligente
Capaz
Comunicativa
Imponente
Não cede às pressões
Daí seu nome
 Quero um dia vê-la prenhe

Tê-la grávida

Arquetípica divindade

E nosso fruto em colo

Por isso minha vida é bela
Minha bela é simplesmente minha vida

OUÇO


A felicidade chega quando ouvides o som da chuva sobre a relva?
O vento deixa um sentimento melancólico ao passar por entre as fendas da janela?
Que coisa comum, penso eu
Sento-me à varanda, limpo a garganta e os olhos fecho
Ligo minh’alma ao todo e gravo o mais singelo silêncio
Cardio-eletro-encéfalo que não cala, mas pulsa respeitoso
Ouço vozes, mil acordes,

Líricas, nobres

Do inerte tomo posse
Vozes do silêncio
O barulho ensurdecedor da brisa ao cair o sol
O irritante escorrer do orvalho da madrugada
Trepadeiras esticam seus braços em busca de apoio
Pedras deprimidas conversam entre si
A neve espanca o telhado
Tímidas luas cantam suas serenatas
Sensatas, inexatas, desbocadas, gritam o amor dos casais
Não sou louco, bobo tampouco
Essas forças naturais eu sequestro
Capto e guardo no âmago de minha existência
Vozes do silêncio
Que controlam o batuque profano da vida
Regentes da beleza
Seus movimentos sutis, maestros, mestres da luz
Livres sobre o púlpito comandam o caos
Não podem ser capturadas por vosso espírito
Nem maculadas por vossa insistente balbúrdia
Vozes do silêncio
Vozes de liberdade

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

És Tu

Saco plástico
Bolsa de papel
Monte de areia
Castelo de cartas
Penas
Folhas
Palhas
Carvão em brasa
Vela
Ou barco a vela
Moinho
Cata-vento
Fogos de artifício
Somos
Qualquer coisa que
Pelo vento
Seja
Controlada
Destruída
Desmoronada
Alguns chamam depressão
Outros chamam tristeza
Eu chamo aprendizado
Obstáculo vencido
Fases da vida
Superáveis
Atingíveis
Alcançáveis
Transponíveis
E completamente recompensantes
Quando
Ao olharmos para trás
Enxergamos
O vencido
O que nos venceu
O empate
E as lições
O crescimento proporcionado
Por isto sumi
Também por isto, voltei
Encontrei-me
Ou me encontraste
Encheste o saco plástico
A bolsa de papel
Como argila
A areia modelaste
Construíste o mais bonito castelo de cartas
Totalmente protegido da ação do vento
Com as penas, folhas e palhas
Fizeste arte, poesia sólida
Do carvão, combustível
Da vela, luz
Do barco a vela, sentido
Destino
Alvo
Moinho
Cata-vento
Belezas a serem admiradas
Mencionadas
E quando, finalmente, consertaste tudo isto
Quando deste novo rumo
Prumo
Aí sim
Foi a hora de te ter junto a mim
Por mim
Em mim
Tua amizade
Teu carinho
Cuidado
Faíscas 
Atear fogo 
Tão reais
Fogos de artifício
Por fim



Mariana Luz



É, Luh...
Amigos também dizem "eu te amo". Me tomou um tempão, mas eu me levantei!
E sim, foi graças a VOCÊ!
Obrigada... 

domingo, 2 de janeiro de 2011

ACASO



Eu parti, amor
Parti sem dizer adeus
Não que eu quisesse, foi obra do acaso
E o acaso me mantém em tuas lembranças
Fatos corriqueiros me trazem vivo em ti
Efeitos borboleta
Movimentos fractais, caóticos
A vida não se resume a corpo, memória ou saudade
A vida é complexa e é pra ser vivida

Não ao acaso

Com luz, com garra, com paixão

Espelhos de ti
Nada existe depois dela
A luz no fim do túnel são apenas disparos da mente
 Neurotransmissores excitados pelo adeus
De mim restou a energia de meu ser
E esta se espalhou pelo universo
Para que o mantenha vivo, em movimento expansivo
Eu sou parte disso
E parte de minha energia está em ti
Outra parte perto de ti
Não temos como negar que somos um só
Se fosse comigo eu também estaria em situação semelhante
Ou pior, quem sabe?
E sei que tua energia estaria comigo
Eterna
Para todo o sempre
Porque sei quão grande é o teu amor
Oras! Não vês que nosso amor não é acaso?
Portanto, se tu me amas, ama a ti e vive
Não morras!
Porque faço parte de ti
E morrerei junto
Mais uma vez morrerei
E mesmo assim continuaremos juntos
E mesmo assim continuaremos separados
Divididos em frações de luz a embalar o universo
Eternos no amor
Sem os acasos da vida