Aos meus caros amigos leitores venho comunicar, com uma satisfação imensurável, que o Eco de Sorrisos agora conta com mais dois autores de alma iluminada e de percepção e sensibilidade incomuns.
Laary Ribas, meu doce anjo das Geraes
e
Eric Casablanca, meu nobre amigo e herege pensador de Sampa
Sejam benvindos!
Eu chego perto, ela sorri
Fico bravo, ela triste
Toda hora me beijando
às vezes me mordendo
Me acorda na madruga, pra fazer xixi
E volta a dormir
E como dorme
Parece minha sombra
Não arreda pé do meu chulé
To apaixonado novamente
E ela...
Dormindo
Liberdade
Este pranto
De todos os escravos será escutado
Os tiranos sentirão o aço das espadas
Prisões serão destruídas
Por todos os escravos da Terra
Para libertar-se de seus fados
Para sempre
O tempo terá terminado para os tiranos do mundo
Seus escravos acudirão à chamada
Dando fim a toda esta dor e terror
E um fim às suas mentiras e leis
Nós levaremos todo seu ouro e dinheiro
Pois os homens mortos não os necessitam
Por muito tempo sentimos as feridas de seus castigos
Como agora sentirão nossas espadas
O eterno pranto da liberdade fará eco no céu
Chegará o dia que todo o poder cairá
Seu sangue correrá até as portas do inferno
Donde Satan esperará por suas almas
-Reza a teu deus!
-Não adiantará pois estarás morto!
E não cegará nossa mentes nem nossas almas...
Nunca mais!
O pranto
De todos os escravos será escutado
Os tiranos sentirão o aço das espadas
Prisões se romperão
Por todos os escravos da Terra
Para libertar-se de seus fados
Pra sempre ser livre
Eternamente!!!
Meu corpo é pesado e metálico.
Disperso no ar em fragmentos.
Tentando te encontrar em cada fria palavra.
Em cada abraço que ainda não foi dado.
Minha respiração é artificial.
Sou o impulso que faz o coração jorrar
O jato de sangue nas paredes frias e brancas.
O seu cigarro a terminar.
Por Eric Casablanca
Novo autor do Eco de Sorrisos
Sem teu amor sou cão sem dono
Sou fruto do ocaso
Acaso de uma existência chinfrim
Sou noite em cama neutra
Frio e intenso de escuridão
Diferença ao mundo não faço
Nem sequer sou notado
Coitado?
Não mereço compaixão
Sou fruto do ocaso
Longe de teus beijos
Do teu calor ensandecente
De tu'aura incandescida
Sou iceberg
Vagando a esmo
Pétrido num mar de lamentos
Batendo lá e cá
Rompendo encostas e sem rumo
Sou como o ar rarefeito do Everest
Não há vida que suporte
Estou morrendo de tanta tristeza
E a luz já minguante, tão distante
Quando enfim se esvair
Será meu descanso
Meu amor é assim
Meio que doudo, intenso, inconsequente
E, por amar tanto,
Como mandam as leis do ser imoral,
Sou condenado à solidão
Apontado como vil
E minh'alma impalada pela hipocrisia
Daqueles que aguardam o arrebatamento
De suas existências imundas
Rasgado, esse coração triste
Derrama chagas de dor
Abutres me rondam
Chacais me cercam
E o frio em meu sangue é senhor
Senhor de meus medos, meus pavores
Vapores de minh'alma ascendem ao céu perdido
Mas toda minha vida fica aqui
Sob o solo desse fúnebre recanto
Minha lápide é a saudade que exilou-me à escuridão
Quero uma vida ao teu lado
Ao menos os anos que me restam
Hoje, escravo dessa desalmada saudade
Cativo do mórbido tempo que não corre
Tempo carrasco
Que voou quando estive em teus braços
Como é simples meu desejo
Bobo até, que beira as razões da loucura
Culpa desse meu imenso amor por ti
Ah! Como dói a saudade
Tanto que eu daria minha vida por um beijo teu
Upado de 07/11/2011
Nos lírios de uma noite fria e solitária
Nos olhos fechados de quem não pode nos ver mais
Gritando dentro de sepulturas
Querendo voar
E se libertar do escuro antes de você partir
Podemos voar na noite fria com neblina
Só nós dois
Por Lary Ribas
Poema de uma nova amiga, criatura de sensibilidade e inteligência ímpares. Realmente estou encantado com seu feeling.
Vinicius de Moraes
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.