segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ECO DE MUITOS MAIS SORRISOS



Aos meus caros amigos leitores venho comunicar, com uma satisfação imensurável, que o Eco de Sorrisos agora conta com mais dois autores de alma iluminada e de percepção e sensibilidade incomuns.


Laary Ribas, meu doce anjo das Geraes


e


Eric Casablanca, meu nobre amigo e herege pensador de Sampa




Sejam benvindos!

VERONA





Eu chego perto, ela sorri


Fico bravo, ela triste


Toda hora me beijando


às vezes me mordendo


Me acorda na madruga, pra fazer xixi


E volta a dormir


E como dorme


Parece minha sombra


Não arreda pé do meu chulé


To apaixonado novamente


E ela...


Dormindo 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PRANTO POR LIBERDADE - CRY FOR FREEDOM (Kai Hansen)



Liberdade
Este pranto 
De todos os escravos será escutado
Os tiranos sentirão o aço das espadas
Prisões serão destruídas
Por todos os escravos da Terra
Para libertar-se de seus fados
Para sempre
O tempo terá terminado para os tiranos do mundo
Seus escravos acudirão à chamada
Dando fim a toda esta dor e terror
E um fim às suas mentiras e leis
Nós levaremos todo seu ouro e dinheiro
Pois os homens mortos não os necessitam
Por muito tempo sentimos as feridas de seus castigos
Como agora sentirão nossas espadas
O eterno pranto da liberdade fará eco no céu
Chegará o dia que todo o poder cairá
Seu sangue correrá até as portas do inferno
Donde Satan esperará por suas almas
-Reza a teu deus!
-Não adiantará pois estarás morto!
E não cegará nossa mentes nem nossas almas...
Nunca mais!
O pranto 
De todos os escravos será escutado
Os tiranos sentirão o aço das espadas
Prisões se romperão
Por todos os escravos da Terra
Para libertar-se de seus fados
Pra sempre ser livre
Eternamente!!!


Meu corpo é pesado e metálico.

Disperso no ar em fragmentos.


Tentando te encontrar em cada fria palavra.


Em cada abraço que ainda não foi dado.


Minha respiração é artificial.


Sou o impulso que faz o coração jorrar


O jato de sangue nas paredes frias e brancas.


O seu cigarro a terminar.





Por Eric Casablanca


Novo autor do Eco de Sorrisos

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

OCASO


Sem teu amor sou cão sem dono
Sou fruto do ocaso

Acaso de uma existência chinfrim
Sou noite em cama neutra
Frio e intenso de escuridão
Diferença ao mundo não faço
Nem sequer sou notado
Coitado?

Não mereço compaixão
Sou fruto do ocaso
Longe de teus beijos
Do teu calor ensandecente
De tu'aura incandescida

Sou iceberg
Vagando a esmo
Pétrido num mar de lamentos
Batendo lá e cá
Rompendo encostas e sem rumo
Sou como o ar rarefeito do Everest

Não há vida que suporte
Estou morrendo de tanta tristeza
E a luz já minguante, tão distante
Quando enfim se esvair
Será meu descanso

AMAR NÃO PODE!!!


Meu amor é assim

Meio que doudo, intenso, inconsequente

E, por amar tanto,

Como mandam as leis do ser imoral,

Sou condenado à solidão

Apontado como vil

E minh'alma impalada pela hipocrisia

Daqueles que aguardam o arrebatamento

De suas existências imundas

LÁPIDE


Rasgado, esse coração triste

Derrama chagas de dor

Abutres me rondam

Chacais me cercam

E o frio em meu sangue é senhor

Senhor de meus medos, meus pavores

Vapores de minh'alma ascendem ao céu perdido

Mas toda minha vida fica aqui

Sob o solo desse fúnebre recanto

Minha lápide é a saudade que exilou-me à escuridão 

APENAS UM BEIJO

 


Quero uma vida ao teu lado

Ao menos os anos que me restam

Hoje, escravo dessa desalmada saudade

Cativo do mórbido tempo que não corre

Tempo carrasco

Que voou quando estive em teus braços

 Como é simples meu desejo

Bobo até, que beira as razões da loucura

Culpa desse meu imenso amor por ti

Ah! Como dói a saudade

Tanto que eu daria minha vida por um beijo teu

Upado de 07/11/2011

SOLPOSTO


Nos lírios de uma noite fria e solitária

Nos olhos fechados de quem não pode nos ver mais

Gritando dentro de sepulturas

Querendo voar

E se libertar do escuro antes de você partir

Podemos voar na noite fria com neblina

Só nós dois

Por Lary Ribas

Poema de uma nova amiga, criatura de sensibilidade e inteligência ímpares. Realmente estou encantado com seu feeling.

domingo, 1 de janeiro de 2012

PARA VIVER UM GRANDE AMOR


Vinicius de Moraes

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.


Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.